Crescimento PessoalVida e Bem Estar

Baixa autoestima, carência, vaidade, competitividade

Atualmente, existem muitas pessoas carentes, o que nos faz muito egoístas. Mesmo que não demonstremos isso, na nossa mente passam pensamentos que nos maltratam de medo, raiva, inveja, ciúmes, orgulho, que muitas vezes são frutos de sentimentos e pensamentos autocentrados.

Mas de onde vêm esta carência que nos faz tão infelizes e nos mete em tantos problemas? Na minha experiência, a carência vem primordialmente de apegos à ideias e a sentimentos de autodesprezo e desvalorização de nós mesmos. Daí esperamos que alguém preencha este vazio que muitas vezes nós mesmos criamos. Passamos por algumas experiências ruins ligadas aos nossos pais ou a própria vida e criamos um repertório que diz: eu faço tudo errado, meu pai ou mãe não me amam, meu pai ou minha mãe me abandonaram, meu(s) irmão(ãs) me excluem, ninguém me escuta, ninguém me vê, eu sou injustiçado, nada do que eu faço está bom, sempre sou preterido, todo mundo me usa, faço tudo errado, entre tantos outros pensamentos que apenas nos fazem sofrer .

Muitas vezes isso nem é verdade, mas foi como interpretamos os fatos e, desta forma, o que era apenas uma imagem mental, ao se repetir muitas vezes vira um sistema de crenças, que se torna uma forma pensamento, quase uma consciência de vida própria e independente de nós mesmos. E aí começam os grandes problemas, porque uma forma pensamento cria apego a sua existência. Nós nos apegamos a ideias e estas criam existência própria. É preciso fazer muito mais esforço para desfazermos este apego. Isto porque esta frequência mental aciona dispositivos internos que nos conectam a experiências que carregamos muita dor. Os nossos “obsessores internos”, que nada mais são que subpersonalidades que ecoam de outras dimensões e existências paralelas a nossa. Enquanto não entramos nesta frequência, este obsessor é como um vírus adormecido, mas quando criamos a causa e condições, eles acordam e pedem atenção.

Algo que é difícil de compreendermos é que na maioria das vezes a carência fará com que nós procuremos desesperadamente o amor, como bebês de boca aberta chorando e insaciáveis, mas a verdade é que nos fechamos para o amor. As decepções com as pessoas que amamos ou que “deveriam” nos amar, mas tem atitudes que não correspondem às nossas expectativas, fecham o nosso coração para o amor verdadeiro que deveria ser altruísta. Quem ama de verdade deseja a felicidade do outro. Ao contrário, envolta deste “amor” construímos um muro armado e defendido até os dentes com a raiva. Esta raiva, mesmo que inconsciente, está a serviço de nos defender do grande sofrimento e decepção que acreditamos seja causado pelo amor, o grande vilão. Prova que esta raiva existe, é que ao invés de cultivar relacionamentos, estamos sempre os destruindo. Não enxergamos que o vilão é a nossa carência, o nosso autocentramento.

O interessante é que muitas pessoas maravilhosas, incríveis e com todas as qualidades para se sentirem realizadas, se colocam num lugar menor, porque vieram aprender a humildade. E isso é muito difícil! A humildade ainda é uma virtude para poucos porque ela está baseada num amor por si e pela vida, e numa paz interior que poucos alcançam.

Pessoas muito orgulhosas e vaidosas, mesmo se esforçando muito sempre perdem mais do que ganham para aprender a valorizar o seu próprio esforço, a desapegar das derrotas, a ressignificá-las, a se olharem no espelho sem defeitos e com compaixão. Aprender a enxergar os outros brilharem com verdadeira admiração e felicidade pelas suas realizações, pois quando estiveram neste lugar de destaque, foram consumidos pela competitividade e o medo de perderem este lugar. Desenvolveram ciúmes e inveja, e acabaram por sofrer muito, acusando o mundo pelo seu dissabor. Eis aí um ponto nevrálgico, pois este padrão mental de vítima é o que faz repetirem comportamentos que os levam a infelicidade. Como viciados, é só sentir o cheiro de algo que já caímos. E depois, nos mantemos em baixa autoestima porque temos medo de passar por isso tudo de novo. Mas a necessidade continua lá, e a carência também. E como a matemática da vida é simples, acabamos atraindo o que tememos porque atraímos o que desejamos e, mesmo sem perceber, estaremos fazendo coisas para atender esta carência. Além disso, é preciso se superar, evoluir. Não adianta fugir porque caímos e doeu. A vida não aceita W.O., que a gente simplesmente saia andado do campo e desista.  Como no filme Jumanji, seremos sempre jogados de volta no jogo, com corpos diferentes, mas com a mesma mente que precisa acordar para a nova realidade e encarar o jogo como se fosse tudo novo, do zero. Se trouxermos o passado como aprendizado querendo nos superar será um ótimo jogo, se trouxermos o passado carregado de emoções negativas provavelmente teremos o mesmo resultado ruim.

A competitividade estimulada nas pessoas, os apelos de sucesso e de felicidade vendidos pelos materialistas e mesmo por alguns falsos espiritualistas, mesmo que se atingidos, rapidamente acabarão por levar as pessoas à queda na vala dos vitimizados pelos vícios morais.

Isso não quer dizer que não possamos ser “felizes” ou fazer “sucesso”. Isso tem a ver com o significado e expectativas que temos sobre isso. Vejo muitas pessoas que antes eram tímidas e se viam com baixa autoestima, quando começam a ver a sua luz brilhar tem a tendência de se tornarem competitivas, agressivas (tem medo de cair no lugar anterior), mais egoístas e começarem a sofrer com pensamentos aterrorizantes sobre o mundo e as pessoas. Ou seja, revivem a experiência que as levou ao sofrimento. Voltam a cair, e assim sucessivamente, até aprenderem o significado do amor altruísta. Por isso, antes de pensar em eliminar a baixa autoestima, seria bom nos perguntarmos a serviço do que isso está? Será que somos capazes de nos amar independente da aprovação dos outros? Será que somos mesmos capazes de amar alguém ou algo sem nos amarmos de verdade? O que estamos querendo ou buscando quando precisamos do amor e da aprovação de alguém? O que precisamos enxergar sobre nós mesmos que nos afasta do amor? O que nos faz olhar para o mundo com dor e tristeza? Quais os apegos que não queremos soltar? Que exclusões estamos fazendo nas nossas vidas? A serviço do que está o nosso padrão de vitimismo e sofrimento? Esta raiva que temos apego irá mesmo nos defender do nosso sofrimento?

A lição que tenho aprendido é que a primeira coisa que devemos desenvolver durante a nossa existência é o amor altruísta e a humildade, que nos ajuda a sermos gratos e felizes por simplesmente termos a chance de experimentar a vida e criar algum legado. Isso fará com que nos enxerguemos com amor e a nossa existência com gratidão, ao invés de ficarmos amaldiçoando tudo o tempo todo. Direcionarmos os nossos desejos à serviço da vaidade e do ego sempre nos fará nos sentirmos excluídos, não amados e não merecedores.

E são muitas as perguntas, são muitas as experiências que consciente ou inconscientemente, não conseguimos soltar. Por isso, a meditação na vacuidade ou meditar em consciência plena (mindfulness) é tão importante, porque ao trazermos a mente para o momento presente, treinamos não deixarmos nos levar a padrões de sofrimento como culpa pelo passado e medo do futuro. E quando os estímulos mentais e físicos se apresentam, treinamos a mente a não julgá-los e assim podemos desapegar, deixando que percam a força e desapareçam a cada respiração. O amor planta as suas sementes quando respiramos e floresce quando aprendemos a parar de acreditar nos nossos conteúdos mentais. Este é o caminho para a verdadeira paz interior.

Talvez seja por isso que o pavão seja uma ave tão bela e, ao mesmo tempo, um símbolo de pureza e ao mesmo tempo de superação da morte, a imortalidade para o budismo. O pavão come plantas que são consideradas venenosas e matariam os humanos, o que demonstra a sua grande força e resiliência para lidar com as dificuldades e transformá-las em néctar, aprendizados.

Quando passamos pelo sofrimento como aprendizado e sem apegos, começamos a não buscar nada porque já nos sentimos completos. Paramos de nos comparar, nos tornamos humildes e estaremos prontos para qualquer coisa de coração aberto, corpo estável e alma lavada.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com