Mente

YOGA DO SONHOS E DO SONO – GESHE TENZIN WANGYAL RINPOCHE

“Quando estamos abertos nos conectamos mais conosco, a gente se conhece melhor, descobrimos nossas qualidades, descobrimos nossa alegria e esperamos menos dos outros, pois não estamos mais centrados em nós mesmos. E se muita coisa ainda não aconteceu na sua vida é apenas porque você não está aberto. Esse é o centro dessa tradição espiritual que existe também em várias outras tradições: é preciso estar aberto!”

As palavras acima, ditas por Geshe Tenzin Wangyal Rinpoche, fundador do Ligmincha Institute, dedicado a preservar antigos ensinamentos tibetanos, deram o tom da palestra sobre Yoga dos Sonhos e do Sono, realizada na Sala Crisamtempo, em São Paulo.

Rinpoche iniciou a palestra destacando a importância de cultivarmos a qualidade de abertura interior através da meditação em nosso dia a dia. Segundo ele, as pessoas estão muito fechadas e esse movimento de abertura deve partir de nós mesmos. Ou seja, se não nos tratamos bem, não pedimos aos outros para nos tratarem melhor, se não nos amamos o bastante, não pedimos às pessoas que nos amem mais.

Essa experiência de abertura e espaço interior está disponível para todos no momento presente, não é necessário estar no topo de uma montanha ou à beira de um lago para sentir-se calmo e pacífico, é possível estar ciente dessa qualidade no momento presente onde quer que estejamos. Meditar nesse espaço interior cria condições para que a felicidade e a alegria surjam em nossas vidas.

E no âmbito da Yoga dos Sonhos, podemos fazer esta meditação no momento anterior ao dormir, podemos direcionar nossa mente de uma forma positiva para termos uma boa noite de sono. Os cinco minutos que antecedem o dormir são fundamentais para as próximas horas de sono e consequentemente para o próximo dia. Se dormirmos bem, despertamos bem dispostos, bem humorados e energizados.Da mesma maneira, quando adormecemos muito preocupados com algo, isso influencia negativamente a nossa noite de sono, nosso humor e disposição para o dia seguinte.

Rinpoche sugeriu utilizarmos os minutos anteriores ao sono de forma simples, meditando sentado ou até mesmo deitado, procurando adormecer visualizando uma das imagens propostas pela Yoga dos Sonhos: uma flor com lindas pétalas e uma abelha bem no centro dessa flor, sentindo o conforto e a nutrição do néctar dessa flor. Ou ainda quem preferir, pode simplesmente procurar sentir a conexão com o espaço interno cultivado pela meditação diária, repousando nesse espaço de liberdade.

Um segundo aspecto da Yoga dos Sonhos, que também foi abordado por Rinpoche, foram os sonhos lúcidos. A definição de sonho lúcido é ter consciência do seu sonho, perceber que está sonhando. E a lucidez não tem relação com sonhos ruins ou bons, ou seja, podemos ter lucidez em um sonho ruim ou em um sonho fantástico. Ter lucidez é simplesmente ter consciência do que está acontecendo em seu sonho.

E a ideia do sonho lúcido é transformar por meio do sonho algo que não é possível transformar quando estamos despertos, como por exemplo, fazer as pazes com alguém que não queira ou que já morreu. Muitas situações que ocorrem quando estamos dormindo, são repetições das que ocorrem quando estamos acordados, por isso é possível transformar uma situação difícil por meio do sonho lúcido. Esse é um tipo de sonho transformador, que vale por muitas horas de análise e que trazem mudanças concretas para a vida.

Além disso, podemos realizar transformações em nossa mente também no estado de vigília. Segundo ele, nossa mente funciona como um computador que registra inúmeros arquivos, aos quais atribuímos nomes como: “Isso é doloroso!”, “Isso é sério!”, “Isso é urgente!”, “Isso é meu dever!”, “Tenho que!”. E quanto mais arquivos acumulamos com estes nomes, mais problemas temos na vida.

Dessa forma, Rinpoche concluiu ensinando um exercício de meditação para realizar a transformação desses arquivos, “renomeá-los”. Realizar uma mudança para que as situações não tomem tanto espaço em nossas vidas e para que a relação com esses arquivos mude de forma positiva. Os passos para realizar essa prática de meditação são:

  1. Inicie expirando completamente todo o ar e inspirando normalmente
  2. Fale para si mesmo, “Eu não sou mais sério”
  3. Entre em contato com seu espaço interior e sinta o silêncio, a cordialidade e a confiança
  4. Traga para o campo da consciência a situação que deseja transformar
  5. Mantenha a calma interior, sentindo o espaço e o silencio interior
  6. Repita três vezes “Isso é como um sonho”
  7. Dê um caloroso, luminoso e auspicioso abraço para esta situação

 

Livro Yogas Tibetano dos Sonhos e do Sono A Yoga dos Sonhos e do Sono, são ensinamentos extensos, profundos e muito antigos, o livro em português: Os  Yogas Tibetanos do Sonho e do Sono, por Geshe Tenzin Wangyal Rinpoche traz instruções detalhadas sobre o  tema.

É possível também encontrar muitos vídeos interessantes sobre o tema no canal Ligmincha do Youtube. Alguns  com legendas em português.

Para mais informações sobre a agenda de Geshe Tenzin Wangyal Rinpoche e sobre a sabedoria da tradição do  budismo tibetano Bom, acesse http://ligmincha.org/

 

Meg

Meg

Como idealizadora do VamosMeditar, o objetivo de Meg é procurar unir informações relevantes sobre meditação e apresentá-las para as pessoas. Meg é produtora de inovação há 14 anos e uma experiente praticante de meditação. Com interesses intelectuais voltados às questões humanas, tecnológicas e sociais, encontrou no estudo de filosofias orientais e da psicologia condições essenciais para sua realização pessoal. Vive em São Paulo e trabalha com tecnologia da informação, está muito feliz cursando sua segunda graduação, Psicologia. Ativa na jornada de auto-conhecimento, vem procurando em suas ações fazer mais pelas pessoas e pelo mundo.

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