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A TAXONOMIA DA COMPAIXÃO, POR PAUL ECKMAN

O Dr Paul Ekman, renomado psicólogo que se tornou mundialmente conhecido pelos seus estudo  sobre a relação entre as expressões faciais e as emoções humanas, tem se dedicado a uma nova paixão: o estudo sobre a compaixão. Desde que escreveu com Dalai Lama o livro Consciência Emocional, o tema  tem sido o principal alvo de suas pesquisas. Paul Ekman conversou sobre o assunto com o Greater Good, em Berkeley, Califórnia.

 

A taxonomia da compaixão de Paul Ekman

Paul Ekman oferece uma visão geral das diferentes formas de compaixão, desde o mais elementar até o mais excepcional e heróico. Muitos escritores agrupam esses fenômenos, sem perceber que eles estão falando sobre coisas diferentes, explica.

Abaixo, segue um guia para entender o que são estas formas diferentes de compaixão e por que eles são tão importantes.

– Reconhecimento da emoção é a mais fácil — a condição sine qua non. É saber como outra pessoa está sentindo. A maioria das pessoas não precisam ser ensinadas para isso, com exceção das pessoas com Asperger, autismo  ou esquizofrenia. Perceba que o torturador necessita de reconhecimento  emocional: saber como você se sente não implica em se eu vou tentar aliviar o seu sofrimento ou infligi-lo ou apenas me preocupar. Mas se eu não sei como se sente, todo o resto só cai no esquecimento.

– Ressonância emocional é o que faz o Bill Clinton: “Eu sinto sua dor”. Eu faço distinção entre dois tipos de ressonância: a ressonância identica é quando você percebe que alguém está sofrendo e você realmente experimenta o mesmo sentimento fisicamente, como se fosse o próprio. Mas quando você diz, “Oh, coitadinho! Eu sinto que você está se sentindo assim. O que posso fazer para ajudá-lo?”— isto é a ressonância reativa.

Todo mundo ama pessoas que ressoam; a ressonância é crucial para nosso relacionamento com nossos entes queridos. Mas se você é como minha filha, uma profissional de salas de emergência  no único centro de trauma do San Francisco, se você sentir a dor de outras pessoas por 8 ou 12 horas por dia, você vai queimar. O Dalai Lama diz que sente a dor dos outros, mas só muito ligeiramente e apenas por alguns segundos, em seguida, passa.

Nem todo mundo ressoa:  há razão para acreditar que as pessoas com personalidades anti-sociais não ressoam, mas eles são capazes de agir como se eles ressoassem, porque eles sabem que outras pessoas gostam disso, o que lhes permite manipular os outros.

– Compaixão familiar é a semente da compaixão, plantada através da ligação “cuidador-prole”. Isso levanta questões muito interessantes sobre pessoas que foram criadas, sem um único “cuidador”, ou foram criadas com pais que tinha eram muito distantes. Qual é a sua capacidade de compaixão?  Dalai Lama e o Darwin, ambos diriam que eles terão problemas — sem a semente, a flor não crescerá.

– Compaixão global foi exemplificado pela resposta ao tsunami do Oceano Índico de 2004. Pessoas ao redor do mundo ajudaram a estranhos, de diferentes raças e cores de pele. Agora, sabemos que nem todo mundo tem a compaixão global — muita gente deu auxilio e muitos não fizeram nada. Como podemos cultivar a compaixão global? Considero esta uma das perguntas mais cruciais para a sobrevivência dos nossos filhos e netos, porque o planeta não vai sobreviver sem compaixão global. Temos que tentar ver o que podemos aprender com aqueles que o têm este tipo de compaixão naturalmente, sem treinamento.

– Compaixão senciente é quando você estende o sentimento de compaixão para com as baratas ou para  qualquer ser vivo. Não sabemos se as pessoas que têm a compaixão global têm a compaixão senciente. Mas meu palpite é que se você  tem a compaixão senciente você tem a global. O Dalai Lama e Darwin concordam que a compaixão senciente é a mais alta virtude moral.

– Compaixão heróica é como o altruísmo com um risco. Este tipo de compaixão tem duas formas: a heróica imediata é quando, sem pensar, você pula nos trilhos do metrô para salvar alguém. É impulsivo. A heróica considerada não é um ato impulsivo; é um feito que considerou pensamentos-ponderação, e pode ser mantido por muitos anos.

Kristen Monroe, cientista político da Universidade da Califórnia, Irvine, fez um estudo de pessoas com compaixão heróica, e aqui estão seus critérios para isso: 1) deve haver ação, não apenas pensar sobre quão bom seria agir; 2) o objetivo é o bem-estar de outra pessoa; 3) a ação tem conseqüências para essa outra pessoa; 4) há uma boa possibilidade de que as ações diminuam o bem-estar que quem a faz, pois ela se coloca em risco; 5) não existe nenhuma expectativa de recompensa ou reconhecimento.

Novamente, nós sabemos que algumas pessoas demonstram compaixão heroica, sem treinamento. Como conseguiram isso? O que podemos aprender com eles que nos permitirá ajudar outras pessoas a desenvolvê-lo?

*Taxonomia é a ciência que classifica seres vivos segundo critérios determinados.

Original: http://greatergood.berkeley.edu/article/item/paul_ekmans_taxonomy_of_compassion/

 

Sobre Paul Ekman

Paul Ekman é  professor de psicologia emérito, da Universidade da Califórnia, San Francisco, e autor de 14 livros, incluindo, mais recentemente, Consciência Emocional. Ele também é membro do Conselho editorial do Greater Good.

 

Sobre o Greater Good Science Center                                 http://greatergood.berkeley.edu

Fundada em 2001,  na UC Berkeley , o Greater Good Science Center (inicialmente chamado de centro para o desenvolvimento da paz & bem-estar) originou-se da generosidade e da inspiração de ex-alunos de Berkeley, Thomas e Ruth Ann Hornaday. Eles encontraram sinergia entre seus interesses pessoais e a pesquisa de psicólogos  Dacher Keltner, Phil e Carolyn Cowan e Steve Hinshaw da universidade de Berkeley. Acreditando que “não podemos ter instituições pacíficas sem um povo pacífico”, o Hornadays auxiliaram a criar um centro de investigação interdisciplinar para promover a ciência da paz interior e do bem-estar.

Redação

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