Crescimento Pessoal

PERDÃO. UM FAVOR A SI MESMO.

Pratique o perdão, ele é um ato de amor consigo mesmo. Podemos até achar que estamos fazendo um favor à pessoa que estamos perdoando, mas é justamente o contrário. Quando perdoamos, nos livramos dessa carga negativa e desnecessária. É impossível evitar que algumas pessoas nos causem dor, mas podemos trabalhar firmemente para minimizar este sofrimento auto-imposto, e o perdão serve como antidoto. Disse Bob Marley que todas as pessoas vão te impor algum sofrimento. Você precisa é encontrar as pessoas que fazem valer a pena o sofrimento.

Não precisamos ser amigo da pessoa, reatar o relacionamento, nem gostar da pessoa a ser perdoada, e você nem precisa contar pra ninguém que a perdoou. O perdão não quer dizer se fazer de capacho e aceitar os maus tratos ou atos condenáveis. Perdoe de coração, de cabeça erguida, e se for necessário, se afaste dos ofensores.

Não queira mudar os outros. Ninguém é perfeito, e devemos aceitar as pessoas como são, mesmo que não voltemos a nos relacionar com elas. Assim como o outro não é perfeito, lembre-se que você também comete erros e vai querer ser perdoado. Não podemos evitar a dor de ser traído ou maltratado, mas podemos sim evitar que essa dor faça morada no nosso coração, perpetuando o sofrimento.
Mas é bom saber que o verdadeiro perdão pode restaurar relacionamentos, e isso é um bônus valioso, pois além de praticar um ato de amor consigo mesmo, você tem a chance de ser generoso com outra pessoa. Não somos perfeitos e não devemos cobrar isso de outras pessoas, e quando aprendemos a perdoar, nos damos conta de que nos ofendemos e nos decepcionamos com os outros por coisas sem a menor importância.

Temos que assumir o perdão como um ato individual, praticamente sem desdobramento para a pessoa perdoada, a não ser que você escolha expressar o ato de perdoar. Podemos perdoar uma pessoa e nunca falar com ela, nem dar a ela o conhecimento do perdão, e por mais estranho que isso possa parecer, é suficiente. O perdão transforma a nossa relação com a ofensa, sem que seja necessária uma mudança no relacionamento com a pessoa que nos tenha ofendido.

Quanta coisa do nosso passado aparece na hora errada para nos assombrar, trazendo a culpa, a raiva e ressentimentos. Temos que nos livrar dessa sensação, praticar o perdão, não só para os outros, mas também para si mesmo. Inevitável revisar o nosso passado, e o valor benéfico é indiscutível quando rememoramos fatos alegres e realizações. Mas o passado tem o péssimo costume de vir travestido de pensamentos negativos sobre os outros e sobre si mesmo. A harmonia com o seu passado exige perdão e aceitação, e se livrando das correntes do passado, você pode voltar os olhos com otimismo para o futuro brilhante que te aguarda.

As lembranças positivas e negativas devem receber tratamentos distintos. As positivas saboreadas, e as negativas sublimadas. As correntes negativas que nos atam ao passado devem ser quebradas com o perdão, gratidão e aceitação. Devemos evitar a resignação e a culpa, o arrependimento e ressentimentos, pois eles fortalecem as amarras que nos atam às tristezas do passado e azedam o nosso presente.
Temos que nos colocar como senhores do nosso perdão e evitar definitivamente à tentação de colocar condições – só vou perdoar se ele se arrepender – só vou perdoar se ele pedir perdão. Quando colocamos condições externas, estamos nos colocando como escravos, e vamos ficar indefinidamente acorrentados.

Mas deixe o perdão para dores muito fortes, relacionadas com pessoas específicas, com nome e endereço, que nos magoaram e nos feriram no passado. Para as dores pequenas, ou aquelas que não conseguimos atribuir a ninguém, o certo é aceitar e deixar ir. Simplesmente deixe cair esse peso do seu ombro.

E o que dizer de tratamentos injustos que sofremos seguidamente, companheiras autoritárias, chefes incompetentes e desonestos que nos impõe um estresse desproporcional. Tolerar é uma coisa distinta, e pode não ter nada a ver com o perdão. Temos que levantar a cabeça, colocar limites e aprender alguns mecanismos para não prolongar indefinidamente este sofrimento imposto por outras pessoas. Há casos em que o algoz nos faz sofrer deliberadamente, e isso não podemos aceitar.

Podemos desculpar atos involuntários e isolados que nos causam um contratempo, afinal, todos nós podemos, em algum momento, ser o causador desse mesmo efeito nos outros. Quando levamos a vida com mais leveza, rapidamente nos esquecemos das pequenas ofensas, e nesse caso, nem precisamos perdoar. Isso faz uma diferença grande na nossa vida, pois a prática do perdão é complexa, trabalhosa e dolorida. Muitas vezes não conseguimos avançar, pois não conseguimos nos desligar da pessoa do ofensor. Nem mais atinamos para a ofensa, mas nos conectamos com uma energia demoníaca à pessoa que nos fez mal. Desse modo, inviabilizamos o exercício do perdão.
Há pessoas difíceis, e podemos até pensar, impossíveis de se perdoar. Como perdoar alguém que nos causou mal, e deseja que o nosso mal se agrave? Como perdoar alguém que não dá a mínima se perdoamos ou não? Como perdoar alguém que nutre por nós um profundo desprezo, mesmo depois de nos causar algum mal?

Dizem os especialistas que a despeito de tudo isso, seremos favorecidos se conseguirmos perdoar. Não há menor dúvida de que quando o perdão quando acompanhado de reconciliação, é facilitado, mas nem sempre isso é possível. O perdão quase impossível se assemelha a um ato de heroísmo, temos que nos mirar nos exemplos de Nelson Mandela e do Papa João Paulo II. Em ambos os casos, perdoar não significou aprovar os atos cometidos, mas uma grandeza da alma, uma libertação para si mesmo e para o povo que representam.

Mandela foi confinado por 27 anos na prisão, e ao sair, perdoou quem infligiu nele tanto sofrimento e colocou a paz do seu povo acima do seu próprio orgulho. O Papa, por sua vez foi alvejado e quase morto por Ali Agka, quem ele visitou na prisão e perdoou. O perdão pode parecer impossível, mas temos que pensar na nossa própria libertação.

Seja gentil consigo mesmo, e aceite a dor para minimizar o sofrimento. Não resista, não culpe, não se revolte, e deixe passar. Não se faça de vítima, não tenha pena de si mesmo. Você vai sobreviver. Quando você perdoa, você diz não para as lembranças tristes de quando tudo aconteceu, evitando que isso continue te machucando.

Rubens Sakay

Rubens Sakay

Rubens Sakay tem 61 anos, é engenheiro de formação, mas tem se dedicado, nos últimos dez anos, ao estudo dos temas do bem envelhecer, felicidade e nutrição.
A atuação por décadas como gerente e diretor de Recursos Humanos em grandes instituições lhe permitiu mergulhar nas questões humanas do cotidiano, e especificamente no tema felicidade, procurou consistir as revelações da ciência e os avanços acadêmicos, o que culminou na edição do seu livro “Hoje pode ser um dia melhor”, um receituário para a felicidade, abordando o amplo espectro do florescer humano, um dia de cada vez.
Está trabalhando no próximo livro que se constitui num workbook da felicidade, com abordagem prática nas questões que influenciam a felicidade do indivíduo, seja o perdão, a gratidão e o foco no momento presente, acrescido de uma seção de exercícios para se praticar cada tema.
O amplo espectro do crescimento humano e da saúde, são de seu profundo interesse, navegando permanentemente nas questões do movimento, emoções, neurociência, espiritualidade e epigenética.

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