Crescimento Pessoal

O OUTRO

Que o homem não nasceu para ser uma ilha e os relacionamentos são imprescindíveis para o nosso crescimento pessoal, todo mundo sabe. Mas isso não deveria servir de desculpa para sempre colocarmos no outro a culpa dos nossos problemas, da nossa dor, da nossa indignação e da nossa raiva.

É claro que existem mentirosos e gente mal caráter que, eventualmente, nos ferram mesmo. Entretanto, a questão que está sendo colocada é que antes de soltarmos fogo pelas ventas e tiro pelas ruas, deveríamos refletir um pouco sobre da onde vem este sentimento que, muitas vezes, é uma grande frustração com a gente mesmo.

Enquanto o dedo aponta para o outro, uma vozinha interna se cobra: “o que você pensou que estava fazendo?”, “que merda eu fiz agora?”, “onde é que eu me meti?”, “de novo! Será que ainda não aprendi?”. É, no fundo, uma parte de nós sabe que somos responsáveis por tudo o que acontece com a gente. E é esta raiva que sentimos por nós mesmos, que nos acostumamos a despejar no outro.

Muitas vezes até, escolhemos caminhos difíceis para sairmos da zona de conforto, mesmo que de forma inconsciente. E surpresa: culparmos o outro pela nossa dor e nos mantermos no papel de vítima não é o que nos ajudará a sair desta zona de conforto, deste padrão de comportamento que é nosso e não do outro. 

Mudar é algo difícil e com certeza é muito mais fácil culpar tudo a nossa volta. Mesmo para quem inicia um caminho de autoconhecimento, a compreensão intelectual de alguns aprendizados vem muito antes das mudanças de atitude de fato. Nossos padrões de comportamento estão associadas a imagens mentais, que criamos no decorrer da nossa vida através das nossas experiências e estes estão profundamente gravados na nossa mente. 

As experiências que vivemos fazem parte de quem somos, mas elas não podem ser nossos limitadores. Quando a gente se limita pelo passado, pela nossa história, temos a tendência de nos vitimizarmos. Assim, estaremos sempre culpando o outro pelo nosso futuro. Ou seja, sem assumirmos a autorresponsabilidade sobre a nossa vida, continuaremos tocando a mesma música atravessada.

Momentos de frustração e raiva fazem parte da vida. Por isso, usar esta energia canalizando-a para construir ao invés de destruir, assumir a responsabilidade pelos resultados e criar causas melhores é uma forma muito mais saudável de se viver do que despejá-la sobre o outro. 

Aplicar esta  inteligência de utilizar esta poderosa energia da raiva para colocar em prática ações positivas é um melhor remédio do que desperdiçá-la em violência. Além disso, a raiva aplicada na destruição nos torna mais vulneráveis, enquanto que a usada para construir nos empoderar a força de vontade. A primeira se consome rápido e a segunda cresce conforme vamos fazendo conquistas. Por isso, da próxima vez que estiver numa situação difícil, respire fundo, perdoe para se libertar energeticamente do ocorrido, pense na ação construtiva que pode tomar para nunca mais passar por isso e faça. 

Se tudo isso for muito difícil, duas dicas para usar no dia-a-dia, em qualquer momento ou situação:

1. O córtex pré-frontal demora cerca de 1 minuto para assumir o controle da situação, depois que as partes mais primitivas do cérebro (de luta e fuga) já foram acionadas. Por isso, numa situação intensa, respirar fundo e ir dar uma rápida voltinha pode mudar todo o panorama na sua mente antes que faça algo de que se arrependa.

2. Em qualquer situação onde sentir desconforto em relação a algo ou a alguém, faça um H´oponopono básico: “Eu sinto muito. Por favor me perdoe. Eu te amo. Obrigada” ou uma série do mantra da compaixão Om Mani Padme Hum. Lembrando sempre que, como somos um, o que você está perdoando ou tendo compaixão é aquilo que está dentro de você e não fora, e eliminando o dentro, o fora também muda.

Tudo isso ajuda muito! Palavra de quem já viveu uma boa cota de ataques de raiva e entendeu na pele que brigar, mesmo com razão, é um desperdício de tempo e energia. Literalmente, com raiva não tem como ser feliz. E para quem acha que às vezes as coisas só acontecem na força, dois lembretes: não existe um só caminho para qualquer destino e todos podemos escolher ser um guerreiro leve e feliz.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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