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NÃO AO ABUSO EMOCIONAL

Já faz um tempo que o bulling virou assunto da moda, mas apenas recentemente, venho observando todas as formas como ele se expressa, no dia-a-dia, e a profundidade que está enraizado na nossa sociedade.

Infelizmente, o abuso emocional vem de um suposto poder moral, que as pessoas acham que possuem e se utilizam para se sentirem melhor do que outras. E, por incrível que pareça, além dos ambientes coletivos, como a escola ou o trabalho, o abuso inicia e acontece com maior frequência nas relações onde se pressupõe a existência de uma dependência emocional e de uma relação de confiança, como entre casais, pais e filhos, irmãos e em relações de grandes amizades. Sabe aquele amigo que está sempre do seu lado, até debaixo d’água, faz tudo por você, mas está sempre zoando da sua cara e fazendo piada dos seus “defeitinhos” ou daquele deslize que ele nunca mais lhe deixará esquecer? Alguém já viu este filme?

No que eu tenho observado, os abusadores são pessoas que tem sua estrutura interna muito frágil, que não confiam em si mesmas e, por isso, como instinto de sobrevivência, precisam estar sempre subjugando os outros. Na maioria das vezes, aparentam ser confiantes por fora, mas precisam estar constantemente se afirmando através da crítica e da acusação.

Quanto mais perfeita a imagem que a pessoa montou de si mesma, maior será a necessidade dela abusar emocionalmente do outro, se ela sentir que este mundo perfeito está ameaçado.

Vemos também muitos pais que abusam emocionalmente dos filhos com a desculpa de torná-los fortes e melhores e, muitas vezes, o que pode existir é um receio de serem superados e perderem sua autoridade. Isso ocorre, principalmente, nas relações do mesmo gênero, ou seja, pais com filhos, mães com filhas e irmãos do mesmo sexo. E com o amor dando pano de fundo para este cenário, estes jogos de poder e estímulos competitivos resultam em adultos com uma “embalagem” de perfeição que nunca terá nada a ver com a realidade, pois num mundo dual a perfeição é a própria dualidade, a aceitação dos paradoxos. Ironicamente, é exatamente o contrário do idealizado pelo homem. O universo diz: eu sou feito de preto e branco, e assim, sou perfeito. Vem o homem e diz: eu sou branco ou sou preto e assim sou puro e perfeito. Somos a criatura querendo saber mais do que o criador. 

E com esta visão equivocada de perfeição de si mesmo, parece que quase todos os “abusadores de carteirinha” tem como principais vítimas,  aquelas pessoas que fogem deste padrão de alguma forma, e aviltam o cenário ilusório e “perfeito” que criaram em suas mentes. O medo consciente ou inconsciente que este conto de fadas desmorone, faz com que a pessoa tente destruir ou apartar de si, tudo aquilo que não considera um semelhante, como se fosse um vírus, uma bactéria mortal.

Se a pessoa que vive num mundo idealizado aceitar que é igual e uno com aquilo que, aos seus olhos, é imperfeito, terá que admitir sua própria imperfeição, o que é impensável.

O tipo de trauma que alimenta este medo e causa este ato tão perverso que é o abuso emocional deve ser muito forte e, muitas vezes, está encapsulado em camadas do inconsciente.

Lembro-me muito das palavras da Anna Sharp, há muitos anos atrás nos encontros do “Curso em Milagres”, que dizia que na matemática do universo, o que irá contar é o resultado, independente da nossa motivação numa ação. Isso me marcou muito porque entendi que, num sentido mais amplo, o outro tinha relevância, sim! Hoje, também acrescentaria que o resultado diz muito sobre a nossa verdadeira motivação, aquela escondida nos cantinhos escuros da nossa mente. Assim, o ego aproveita e toma o espaço para brilhar, sempre arrumando uma boa justificativa para os nossos atos. 

Esta necessidade de deter este poder moral do abusador, de precisar achar que é melhor do que os demais, nada mais é do que uma profunda vontade de ser amado, e o abuso é uma forma insana de tirar do outro aquilo que se quer receber. Por isso, deixo uma reflexão: toda vez que uma pessoa fizer ou disser algo que faça outra se sentir não amada, não aceita ou deslocada de alguma maneira, perceba se não existe uma pontinha  de abusador emocional atuando para defender um “mundinho” de cristal. 

“O espírito é como a fruta. Se está madura, quando a gente morde, é doce.” Prem Ragi

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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