Meditação

MEDITAÇÃO, POR UMA MENTE SAUDÁVEL

A meditação é uma prática contemplativa que vem se tornando popular porque a mídia não pára de anunciar os seus benefícios à saúde, recém-descobertos pela ciência. Mesmo assim, muitas pessoas acham que são agitadas demais para meditar ou ainda não conseguem vê-la como algo inserido na vida diária. Tudo bem, faz parte. A onda do cuidado com a saúde do corpo tem apenas algumas décadas e, hoje, toda uma cultura de bem-estar já se estabeleceu entre as pessoas.

A meditação é apenas uma consequência deste movimento, que proporciona os recursos para que possamos compreender e a controlar uma área do nosso corpo que nunca nos preocupamos antes: o cérebro. E como já dizia o velho ditado: mente sã, corpo são. As pessoas já estão percebendo que não adianta cuidar só do corpo. Com o aumento do número de informações e a quantidade de impactos que o nosso cérebro recebe dos dos meios de comunicação, a nossa mente vem sofrendo e muito.

As doenças da mente são a nova epidemia da sociedade: estresse, depressão, síndrome do pânico, déficit de atenção e hiperatividade, são apenas algumas pontas de iceberg que iniciam várias outras doenças. Por exemplo, o estresse produz cortisol e sabe-se que o excesso deste hormônio, liberado por períodos prolongados de tempo, acaba com o nosso sistema imunológico.

Apesar de ser uma prática muito simples, a meditação ainda é algo novo no ocidente e, por isso, é cercada por muitas dúvidas e mitos. Assim, vamos tentar esclarecer algumas questões para os interessados no assunto.

– Para meditar é preciso ficar um tempo parado e em quietude.

Da mesma forma que para exercitar o corpo nós precisamos nos mexer, para exercitar a mente a gente precisa parar de se mexer e aquietar. Tem muita gente que apela para drogas medicinais para ficar concentrado, menos ansioso ou ficar feliz. A meditação faz a mesma coisa e ainda nós aprendemos muito sobre nós mesmos, sobre o que nos traz ansiedade, onde estão os nossos medos e como funciona a nossa mente. Com o tempo, este processo de autoconhecimento pode livrar as pessoas definitivamente destas doenças.
Infelizmente, ainda não inventaram um Pilates do cérebro, mas existem vários métodos de meditação que podem ajudar a pessoa a minimizar os efeitos de situações de estresse e ansiedade no cotidiano e que podem ser aplicados em qualquer lugar e a qualquer hora.
As meditações ativas, feitas em atenção plena andando, lavando louça ou em qualquer outra atividade são muito válidas, mas são um estágio mais avançado da prática. Primeiro, recomendo que a pessoa entenda como a mente dela funciona, como é o estado meditativo em quietude para que depois ela possa buscar este estado mental em qualquer outra situação.
Uma alternativa para quem é muito agitado são algumas das meditações ativas do Osho, que aplicam exercícios em movimento, de expressão corporal, antes da prática propriamente dita.

-Você precisa esvaziar a mente.

A mente dificilmente está vazia. Até dormindo nós sonhamos, temos atividade mental. O que se busca na meditação é um não engajamento aos pensamentos que aparecem. O vazio conceitual se dá pelo não julgamento, pelo não se apegar ao que surge na nossa mente. Isto é muito difícil para a maioria de nós e, por isso, colocar um “objeto de meditação” para que possamos nos concentrar facilita. Este objeto pode ser o ato de inspirar e expirar, contar as respirações, uma chama de vela, um mantra e muitas outras coisas.
Na minha visão, existe sim a possibilidade de se alcançar um “vazio” real, mas para isso é necessário muita prática. De tanto praticarmos no vazio conceitual, se chega ao vazio real e, também, ao conseguirmos um grande poder de concentração, existe um ponto de saturação em que a mente se dissolve no vazio, no espaço. Talvez você não encontre esta explicação em livros, pois estou compartilhando a minha experiência. De qualquer forma, o praticante iniciante não deve se preocupar com isso. Chegar neste ponto não é algo necessário para se conquistar os benefícios em saúde e qualidade de vida que a meditação proporciona.

– A postura em que se medita é importante.

A meditação é um tipo de exercício que se faz com a mente e a relação da mente com o corpo é algo muito importante. Manter a coluna ereta, ficar numa posição confortável e estável também são importantes para a prática da meditação. Com o tempo, a postura correta também auxilia a pessoa a ficar cada vez mais tempo fazendo a prática. Costumo dizer que não é necessário forçar para se manter numa posição, mas quando a pessoa sabe qual é a postura correta, irá perceber que esta irá incorporar ao meditador com o tempo. Esta percepção da relação entre o corpo e a mente é uma das coisas bacanas que a meditação proporciona. É possível perceber que existe uma memória que comanda as nossas ações e que na medida que colocamos uma intenção o corpo acompanha, pois esta memória é sempre acionada, estejamos ou não conscientes dela.
De qualquer forma, é importante ressaltar que a meditação é uma prática da mente. Portanto, o corpo não pode ser um impecilho ou uma distração. Se você possui algum tipo de problema de coluna ou qualquer outra doença que cause desconforto na posição sentada, melhor deitar de costas, ficando muito atento para não cair em torpor e dormir durante a prática.

– Fazemos a meditação para relaxar.

Costumo dizer que o relaxamento é um efeito colateral positivo da meditação. Ao focalizarmos nossa mente em um “objeto”, ela se mantém no momento presente. Isto por si, já é algo que nos proporciona um grande relaxamento e como diriam algumas pessoas, também abre espaço no nosso HD. O ser humano gasta muita energia, literalmente, no hábito de ruminar pensamentos*. São evocações do passado, em função do que esperamos do futuro, o que é uma grande desperdício, pois “chovendo no molhado”, o passado já foi e o futuro não existe sem o presente. Porém, esta é uma dinâmica viciada da mente e precisamos reconhecer que isso acontece.
Muitos destes pensamentos estão associados a emoções que podem ser positivas ou negativas, o que não importa muito porque ambas causam ansiedade. A indicação de não se julgar os pensamentos na meditação, proporciona um distanciamento que ajuda a dirimir o poder emocional destes.
A meditação é uma prática que nasceu com o objetivo de compreendermos o funcionamento da mente e aprender como utilizá-la da melhor forma possível. É o cavaleiro que realmente começa a controlar o cavalo, pois afinal, a nossa mente controla nosso corpo e as nossas ações. Se não controlamos a mente, somos um organismo à deriva.

* as pessoas vivem 75% do tempo no passado, 20% no futuro e 5% no presente, segundo pesquisa feita pela Maris Antropos Consulting, na França.

– Mindfulness, ou atenção plena, e a meditação são a mesma coisa.  

Existem muitos métodos e práticas meditativas. A atenção plena ou mindfulness é apenas uma delas, sendo uma releitura de uma prática budista. O que tomo como base é, que para ser chamada de meditação, a prática deve ser autoinduzida, focalizada (trazendo o praticante ao momento presente) e levar a um estado alterado de consciência.

– É preciso muito tempo de prática para a meditação fazer efeito.

 Como qualquer coisa que queremos ver um resultado positivo, é necessário também constância e disciplina na prática da meditação. O ideal é que a pessoa possa praticar todos os dias por um período de 20 minutos, idealmente, duas vezes ao dia. Se isso não for possível, a pessoa pode adaptar um tempo menor, dentro da sua rotina, mas a constância é importante porque a prática vai se desenvolvendo mesmo que a pessoa não perceba inicialmente. Usando uma explicação que ouvi da Milena Dias, a Tia Mi, uma amiga professora de yoga, a meditação é como um bambu, que antes de começar a crescer acima da terra, cresce invisível por baixo da terra, criando raízes profundas e, de repente, inicia o seu crescimento vertiginoso em direção ao alto. A meditação é a igual. Se você está mesmo disposto a ser um praticante e se dedicar a isso, acredite: mesmo que aparentemente nada esteja mudando no começo, muita coisa estará mudando no seu interior.  Para fins terapêuticos, os estudos científicos recomendam um tempo de 20 minutos diários. Agora, se o objetivo for conquistar a maestria sobre a mente, quanto mais tempo de prática, melhor.

Em resumo, a meditação como qualquer outra coisa onde queremos conseguir algum resultado deve ser uma escolha. Precisamos saber que estamos praticando a meditação com um objetivo, um fim. E de todas as escolhas que você poderia fazer,esta pode ser a cereja que faltava no seu bolo.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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