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A MEDITAÇÃO COMO APOIO À DEPRESSÃO E AO ESTRESSE

Quem não conhece alguém com depressão ou até já passou por isso? Tristeza, pessimismo, falta de ânimo, baixa autoestima e mau humor, além de algumas doenças físicas que podem acompanhá-la. Para a medicina, a depressão pode ser uma questão química. Para muitos é um distúrbio afetivo e social. Para a espiritualidade é uma profunda desconexão com o ser.

Talvez seja uma mistura de tudo isso, mas o que importa é que existe um sofrimento muito pungente nas pessoas com depressão. Mas de onde ele vem?

O Buda histórico no seu primeiro ensinamento, “As 4 Nobres Verdades”,  já declarou: “o sofrimento existe”. Esta é uma verdade inerente ao ser humano. Somos seres vivendo experiências impermanentes em todos os aspectos, e uma das questões que a vida moderna com suas facilidades nos trouxe talvez seja a falta de resiliência para lidar com estas constantes mudanças.

O sofrimento é parte importante da nossa evolução

Tentamos a todo custo evitar o sofrimento, congelar a felicidade. Seja a beleza, o relacionamento ou o trabalho dos sonhos, mas a verdade é que isso não existe e nunca existirá. A impermanência é parte da natureza evolutiva, gostemos ou não. E é o sofrimento, parte importantíssima neste processo, que jogamos de lado como lixo. Não queremos olhar e sentir, só queremos distância. Criamos aversão pelo sofrimento, que é o nosso maior alarme interno que algo está errado e precisa ser mudado.

Sentimos dor de cabeça e tomamos um analgésico para não precisarmos interromper a atividade que pode estar nos causando o desconforto. Nos sentimos humilhados e engolimos o choro porque é sinal de fraqueza. Fazemos coisas das quais nos culpamos e guardamos segredos que nos perseguem para o resto da vida. Todas estas pequenas ações do dia a dia, quando somadas, não têm como dar certo.  Só podem resultar em aversão social, distúrbios químicos e desconexão espiritual.

Meditação e respiração: método clássico para eliminar sofrimento

E, mais uma vez, retorno a Buda. Depois de uma longa jornada em busca da explicação sobre o sofrimento e como eliminá-lo, conseguiu a iluminação através da meditação.  Durante a sua prática descobriu os caminhos da mente que nos levam ao sofrimento e como extingui-lo. Existem muitos níveis em que um praticante de meditação pode lidar com a natureza da mente e a origem do seu sofrimento. No básico e extremamente útil, é aprender simplesmente a observá-los, sem julgar e sem reagir. Boa parte da nossa tagarelice mental são reações a pré-julgamentos. E isso se consegue através de alguns métodos, sendo o mais simples e clássico a meditação com a atenção na respiração, conhecido no Brasil como meditação em atenção plena ou mindfulness. Esta meditação serve para estabilizar a mente, sendo o início do caminho de qualquer praticante.

Apesar de simples, pode ser muito desafiador para uma sociedade acostumada com o remédio e com as saídas fáceis, que prefere tomar choques elétricos a ficar quieta, tamanho o vício a estímulos externos. Porém, terá uma hora que nenhuma das facilidades externas dará mais conta do recado e a única saída será olhar para os  seus dramas internos, que são a verdadeira fonte da depressão.

Numa visão mais pragmática, atualmente, muitos sistemas de saúde do mundo todo, como a Inglaterra, já recomendam formalmente a Meditação em atenção plena ou Mindfulness, como o método de melhor custo x benefício para prevenir quadros de depressão. Os inúmeros estudos científicos sobre a prática, como o da neurocientista Sara Lazar, apresentado na TedxCambridge, em 2011, demonstram claramente os efeitos benéficos para o cérebro, que refletem na saúde e nos relacionamentos.  Na prática, a Meditação funciona como uma higiene da mente. Não deveríamos sair de casa sem meditar, assim como não saímos sem escovar os dentes.

Meditação não deve substituir tratamento médico

Vale lembrar que o objetivo da Meditação não é substituir o tratamento médico, mas sim funcionar como uma técnica complementar. Aliás, nenhuma prática que atua na mente deve ser aplicada para doenças mentais sérias sem acompanhamento médico. A maioria das literaturas que indica o apoio no tratamento de doenças pela Meditação fala de estresse, apesar de já ser plenamente aceito que também atua com benefícios em depressão, pois ambos são estados da mente.

Também existem muitos estudos que dizem que poucos minutos de prática são suficientes, se forem realizados diariamente. Eu acredito que é preciso, no mínimo, de 20-30 minutos diários para ter efeitos na saúde, por um período maior que dois meses ininterruptos, apesar de os benefícios serem sentido bem antes deste tempo.

Meditação para dissolver as emoções

Para quem quiser experimentar, a Meditação “Fazendo as pazes com as emoções”, que você encontra abaixo, reúne técnicas de Mindfulness, empatia e visualização. Boa meditação!

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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