Crescimento Pessoal

LIDANDO COM O NOSSO EGOÍSMO

No processo do autoconhecimento, nos deparamos com questões profundas e chocantes, onde reconhecemos a nossa própria fragilidade. Nestas horas, meu mestre, Lama Michel Rinpoche, tem me ajudado muito com a sua sabedoria.

Certa vez,  tinha acabado de realizar que o egoísmo também está nas pequenas coisas do nosso dia-a-dia, muitas vezes vistas como naturais  como, por exemplo, escolher a melhor fruta do cesto, garantir os melhores lugares para nós e os amigos, rezar para que outra pessoa não compre aquela última peça de roupa que tem nas mãos e que amamos, entre várias outras situações. Estava perplexa por descobrir esta pequena egoísta dentro de mim e perguntei ao Lama Michel Rinpoche porque era tão difícil deixar de ser egoísta, e ele me respondeu: “Porque ainda nos enxergamos separados. Não conseguimos perceber que o que fazemos pelo outro estamos fazendo também por nós.”

É verdade. Somos educados como indivíduos que não entendem a interdependência. Quando crianças, aprendemos nas aulas de biologia sobre o funcionamento dos ecosistemas, mas na vida diária, estamos sempre pensando em resultados imediatos para a solução de problemas individuais e não coletivos. Queremos o melhor para nós e para os nossos, quando deveríamos querer o melhor para todos. A alteração do clima em todo o planeta é uma prova desta atitude.

Além disso, confiamos pouco no fluxo da vida e na sua generosidade. Temos muitas dores acumuladas que nos tornam seres controladores, medrosos e que precisam de garantias antecipadas. Se você é uma daquelas pessoas que adora bolo e que, alguma vez,  ficou magoado porque outros foram egoístas e te deixaram apenas restos, facilmente, se tornará aquele que irá garantir o melhor e maior pedaço de bolo no futuro. Daí, o que foi prejudicado nesta vez também terá a mesma atitude no futuro e assim por diante. É como uma escola da má educação.

No Japão acontece o contrário. Se colocarmos uma pequena porção para servir 10 pessoas, ainda irá sobrar. O povo japonês  pensa sempre  no outro e as pessoas ainda obedecem a uma ordem hierárquica respeitosa e com prioridades como, por exemplo, os mais velhos na frente. Quem não se surpreendeu quando o mundo todo noticiou o civilizado comportamento das vítimas de Fukushima?  Lembro que pensei: isso é agir como ser humano e não como animais, quando temos a vida destroçada. Não acho que a sociedade no Japão seja perfeita  (será que alguma é?), mas esta visão mais coletiva, cooperativa e respeitosa ao outro seria um bom exemplo a seguir.  Outro bom exemplo, foi aqui mesmo na Copa, onde os torcedores japoneses ajudaram a retirar todo o lixo do estádio após o jogo; em algumas escolas japonesas, as crianças cuidam da limpeza do estabelecimento onde estudam e, nas empresas, as salas de reunião estão sempre arrumadas porque quem as usa deixa o local como encontrou. Com esta mentalidade atingiram um nível onde todos tem o suficiente, um excelente sistema de educação e saúde, com baixos níveis de criminalidade, num país pequeno e com recursos naturais escassos.

Cabe a cada um de nós, ter esta consciência e transformá-la em ação, resistindo primeiro às pequenas  tentações  diárias e, aos poucos, irmos caminhando juntos para uma grande mudança de visão coletiva.

“Que todos os seres possam ter a felicidade e suas causas”.  Buddha Shakyamuni

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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