Crescimento Pessoal

LIBERDADE E PROTAGONISMO

Na última década, muito tem se falado sobre liderança e empreendedorismo. Existe um movimento claro de emancipação das pessoas, que querem escolher um lugar ao sol aonde possam ser seus próprios líderes ou chefes. Ou seja, basicamente, serem livres e comandar a sua própria vida.

Junto com isso vem a necessidade de assumirmos a responsabilidade pelas escolhas que fazemos e é aí que a porca começa a torcer o rabo. Fomos criados dentro de moldes, sejam estes familiares, sociais ou do inconsciente coletivo, e quando resolvemos mudar o jogo as coisas ficam um pouco caóticas. Não estamos acostumados a fazer escolhas ou assumir a responsabilidade sobre estas, mesmo que paradoxalmente façamos isso o tempo todo.

Queremos ser poetas, músicos, artistas, chefes de cozinha, fotógrafos, blogueiros, nômades digitais, terapeutas, trabalhar numa ONG ou qualquer outra coisa que pareça nos fazer mais sentido, mas será que faz mesmo?

Somos o resultado do que pensamos, acreditamos, sentimos e tem tanta coisa que não nos pertence no meio disso tudo, que penso que antes de desejar sermos líderes ou empreendedores, deveríamos tentar primeiro sermos protagonistas de nossas próprias vidas ou, ao menos, ir em busca de quem seria esta pessoa.

Crescemos com máscaras de sobrevivência agarradas ao rosto como se fosse de oxigênio. Através desta máscara tentamos ser aceitos, amados, reconhecidos, ganhar a vida, etc, etc, etc. Por trás dela se escondem emoções soterradas, vontades inconfessas e necessidades não atendidas.

Deixamos de questionar as nossas atitudes. Deixamos de nos perguntar o porquê estamos fazendo isso ou aquilo. O que estamos sentindo quando o fazemos. Estou dizendo “bom dia” por que amo as pessoas e desejo o bem delas, por que tenho medo de parecer mal educada ou gosto de parecer uma pessoa legal? Estou convidando aquela pessoa para ir a minha casa por que gosto dela ou por que ela pode me dar algo em troca? Estou querendo trabalhar em algo social por que é mais legal ou por que acredito na sua função social?

Quais são os meus reais valores, sem precisar me encaixar em qualquer modelo bom ou ruim. Quais são os meus verdadeiros sentimentos e emoções em relação às coisas que vivo ou pretendo viver? O que me move?

Se não é o amor que me move, afinal, o que sinto? Por que sinto este medo, esta raiva, este orgulho, este desequilíbrio? Da onde vem isso? Por que estou escolhendo a dor e a opressão que apenas tem outro nome, outro rótulo?

Existe um grande número de crenças ambíguas (pensa ou acredita em algo, mas existem emoções contraditórias a respeito) nesta fase de transição em que vivemos, o que é muito normal, mas precisamos ter consciência disso.

Sem irmos de encontro à nossa verdadeira natureza, dificilmente poderemos nos compreender, entender o que realmente viemos aprender, evoluir e servir. Sem tirar as máscaras ficará difícil termos a confiança em quem somos, o suficiente para nos tornarmos protagonistas das nossas existências. Inconscientemente, saberemos que somos uma farsa e nos faltará coragem.

Protagonista vem do latim “protos” (principal, primeiro) e “agonistes” (lutador, competidor). Não é à toa que uma das maiores epidemias da saúde publica mundial, hoje, sejam as doenças mentais como o stress e a depressão. Sem sabermos quem somos, sem sermos o sol da nossa própria existência não temos motivação para lutar pela vida e vamos entristecendo ou ficando aflitos e insatisfeitos.

E mudar de cenário, mudar de rótulo sem mudar como nos sentimos a respeito de nós mesmos, sem saber quem realmente somos, pode ser apenas um passo para mais uma decepção.

Caminharmos neste sentido, conscientes que estamos buscando a nós mesmos através da experimentação de coisas novas, fazer algo diferente para perceber como nos sentimos é importante. Inclusive os fracassos irão determinar a nossa verdadeira vontade nesta ou naquela direção. Existem muitos véus ilusórios que precisam cair nesta jornada e isso só acontecerá durante a caminhada.

A emancipação, a libertação do ser humano primeiro passa pelo processo de reencontrar o seu próprio sol, sua luz interna e com esta força ir de encontro a um novo fazer. É preciso antes descobrir o ser. Apenas empoderados do ser, nos tornamos protagonistas das nossas próprias vidas.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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