Crescimento Pessoal

EU SOU QUEM EU SOU?

De tempos em tempos alguns temas ficam martelando na minha cabeça. Ultimamente, a questão da autenticidade é um deles.

Estes movimentos do “ser autêntico, ter propósito e saber inovar”, estão detonando uma avalanche de cobranças internas, que acabam vindo de encontro com os anseios de muitos e, por isso, muitas vezes são mal interpretados por estas pessoas que estão em algum tipo de busca. Uma das perguntas que me ocorrem é: será que de fato são uma tendência evolutiva na sociedade ou apenas mais uma fôrma para nos enquadrarmos? Provavelmente ambos, se não houver bom senso, e este é o ponto.

Estas questões me ocorrem porque mesmo estando no caminho do autoconhecimento há 20 anos, e me conhecendo razoavelmente melhor a cada dia, de verdade, não sei se tenho certeza de quem eu sou. Justamente porque compreendi muitas facetas da minha existência, muitas camadas do meu subconsciente que atuavam como parte da minha suposta personalidade, e ainda trabalho arduamente para me tornar uma pessoa mais inteira todos os dias, este contexto atual de “ser autêntico” está cada vez mais dissonando dentro de mim. É isso mesmo: dissonando e não ressonando.

Percebi que quando nos qualificamos ou nos catalogamos para identificar este ego personalidade “autêntico”, corremos o risco de nos cristalizar dentro dele. E para quem está na vida para crescer, isso é mais do que um perigo, é um equivoco que irá levar ao efeito oposto do verdadeiro propósito da vida.

Como inovar e reinventar se eu já tenho uma autoimagem completamente construída e cristalizada de quem eu sou?

O ser autêntico que proclama: É assim que eu sou, é assim que eu tenho que ser e as pessoas que me amem como sou… será isso mesmo? E aí, será que nos amamos como somos?

Mas para não me compreenderem mal, creio que a imersão no que é o nosso ego personalidade, aquele que se faz presente no mundo, é extremamente importante, porque nos afastamos tanto de nós mesmos em direção ao outro, que até disso perdemos a vista. Este é o primeiro passo que temos que dar no caminho do autoconhecimento.

Entender quais as nossas vontades e desejos, o que nos dá medo e nos faz feliz, o que gostamos ou não de fazer, as e as dores mágoas acumuladas pela nossa autoimagem é essencial. Mas dizer para uma pessoa tímida, “morra tímida mesmo que, por dentro, você queira falar com o mundo” ou para uma pessoa raivosa, que afasta as pessoas o tempo todo com a sua ira, quando o que ela mais quer é ser abraçada, que tudo bem ela ser irada, os outros é que não a compreendem. Bom, este não é exatamente o caminho que apoiaria para alguém manifestar a verdadeira autenticidade.

Muitas pessoas usam a autenticidade, o que supostamente são, como escudo contra o mundo. Estão sempre reclamando que são vítimas de inveja, que as pessoas não as compreendem, que estão cansadas do ambiente cruel. Hello!!! Além disso, vivem em altos e baixos e, na média, gastam um monte de energia porque são “intensas”, e por trás de tudo não é possível enxergar uma centelha de paz.

O fato de estarmos cada vez mais abertos a diversidade e aceitarmos todas as formas de existência não elimina o fato de que viemos ao mundo para mais, para criar a pessoa que queremos ser e vida que queremos para nós. Aceitarmos as nossas características pessoais é parte essencial do aprendizado de autoaceitação e aceitação das diferenças. É onde zeramos a conta conosco mesmo e com o mundo, para começar a entender quem queremos ser. E este “quem queremos ser” é um projeto em constante transformação. Afinal a pegadinha está aí: “o que somos” não é ou resume “quem somos”.

Entender que uma macieira não dá laranja é muito saudável. Não é saudável a gente achar que está limitado a ser apenas uma macieira e que o nosso pomar não pode ser variado e colorido. Então, toda vez que dizemos, eu sou assim, estamos limitando o que somos e nos separando do todo.

Na minha opinião, a famosa frase “eu sou quem eu sou” quer dizer justamente o contrário do “ser autêntico”, que muitas pessoas compreendem hoje. Para mim, esta frase representa o máximo da criação: eu sou quem eu quiser ser, no momento presente, além, muito além das aparências e das formas.

Que todos nós consigamos ser verdadeiramente autênticos.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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