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A ESPIRITUALIDADE O SENTIDO DA VIDA

O esgotamento das experiências materiais trazem de volta à tona as questões espirituais perdidas, muito representativas num passado distante. Lá atrás, a espiritualidade decaiu, se tornou prepotente e cedeu lugar na roda da vida à ciência e ao materialismo. Por sua vez, estas também sofreram do mal da arrogância. Agora, o tema da espiritualidade novamente aponta com força, para que possamos finalmente experimentar o equilíbrio, mas corre o risco de tropeçar naquilo que a fez sucumbir.

A espiritualidade retorna em baldes, assim como uma visão mais explícita dos paradoxos que compõe a vida, para que humildemente compreendamos que precisamos tanto do sutil quanto do denso. Não existe supremacia ou poder de um sobre o outro, e as diferenças precisam ser respeitadas e incluídas.

Apesar da origem ancestral, tudo relativo a esta nova era é ainda muito recente. Quase tanto quanto o desenvolvimento do nosso neo-córtex. Enquanto os líderes representantes das antigas tradições se esforçam para unir o mundo numa única espiritualidade focada no amor, seus jovens adeptos ainda estão aprendendo aos poucos cada camada dos seus ensinamentos. Como nas aulas, por exemplo, de matemática, do primeiro ano até a universidade, muitos graus de aprendizado ocorrerão, apesar de ser a mesma disciplina. Mesmo que a base seja o conjunto de 9 números e algumas poucas operações como somar, subtrair, multiplicar e dividir, o seu uso avançado conquistou o espaço e muito mais.

Uma coisa bacana que está acontecendo é que a materialidade está perdendo sua hegemonia, e faz parte da visão materialista, o nosso ego e a imagem mental que temos das coisas. Colocar as coisas em “caixas” e dar significados para as coisas está dentro dos processos de controle e da forma como tentamos tangibilizar e explicar as coisas.

Atualmente, um número cada vez maior de pessoas começam a buscar práticas contemplativas e através delas compreendem que existe uma essência mais pura, uma consciência mais elevada e sábia dentro delas, e que elas não são apenas aquilo que elas imaginavam ser. Isso é excelente, realmente maravilhoso, porque abre muitas perspectivas para o desenvolvimento humano.

Por outro lado, infelizmente, também vivemos numa cultura ainda muito arraigada na dualidade e somos quase que instantaneamente impelidos a escolher entre estas duas novas realidades ou visões: o eu antigo e o novo eu, mais pleno e consciente, às vezes, jogando a água do banho com o bebê junto. Para a maioria das pessoas, este “eu novo” se construirá a partir da evolução do antigo. Mesmo quem vive experiências místicas que dão um salto de consciência, estas servem apenas como ferramentas mais sofisticadas e de maior responsabilidade, no caminho da evolução do ser. Claro, que sempre tem os potenciais Buddhas, mas isso é outro assunto.

Também estamos acostumados a terceirizar responsabilidades (sorry, pessoas, é um hábito tão incrustado que nem percebemos) e temos uma baixa resistência à dor, estamos constantemente fugindo dela, como se a compreensão da origem do sofrimento não fosse fundamental para o nosso crescimento. Falamos muito de amor e equanimidade, mas ainda temos uma criança interna egoísta, com anseios de poder e aprovação, novamente, tentando se sentir bem na própria pele, mesmo sabendo que a felicidade e a autoestima vêm de dentro. Ainda podemos acrescentar a isso à pressa, de chegar, de aprender, de ser o resultado almejado. E aqui tem uma coisa bem engraçada. Por mais que existam diversos cursos que ajudam na evolução do ser (verdade seja dita, alguns professores são excelentes), que tem um início e fim, este período e um certificado nada significarão aos olhos de Deus, principalmente, para o interno. Ele sempre saberá em que parte do caminho estaremos, mesmo que a gente queira se enganar com horas de cursos e certificações, pois o verdadeiro caminho exige tempo, diligência, esforço e comprometimento com a prática na vida diária.

Resumindo: estamos caminhando para um mundo novo com muita bagagem velha e fazendo uma grande bagunça, retardando e colocando obstáculos no caminho.

As coisas que mais chamam a atenção é que as pessoas começam a confundir divino com humano, pacífico com passivo, fluxo com preguiça, propósito com profissão, só para citar algumas misturebas. Se conseguimos parar de colocar a culpa no outro, passamos a culpar o ego, a mente, as emoções e o intelecto, como se tudo isso fosse separado de nós. Aprendemos a “sentir” e, agora, isso vira chavão como se todo o resto não tivesse valor. Eu uso o sentir o tempo todo, mas em harmonia com a mente e o intelecto, mesmo que seja tomando decisões sem nenhum sentido racional.

Enfim, esta nova balada louca da espiritualidade é como se a gente tivesse descoberto uma nova fonte de “prazer” e, como por hábito, iremos nos fartar dela até empapuçar. E empapuça, galera! Aconteceu comigo e com todo mundo que eu conheço que leva esta “nova onda espiritual” muito a “ferro e fogo”. Pode chegar à beira da aversão e, daí, novamente, a culpa é do remédio e não da nossa inabilidade em usá-lo.

Faz parte dos aprendizados do caminho, sofrer do encantamento do novo. Muito rapidamente, achar que sabia tudo e perceber que não sabia nada, tantas vezes, que aprendemos a ser um um copo, se não vazio, sempre com espaço para mais. Que só o esforço constante, num longo caminho, vai levar ao entendimento mais profundo dos ensinamentos, e que estes são tão importantes quanto as experiências diretas, mais conhecidas como místicas. Que estar presente no agora e ser observador de si mesmo, representa na prática, estar alerta, receptivo e sem julgamento a todo momento, coisa muito muito difícil. Se você ainda sentir gratidão neste contexto, estará no fluxo, não importa o que esteja fazendo. Que Deus é mesmo um arquiteto divino e se a mente e o intelecto, o conhecimento e a ciência não fossem importantes no jogo, ele não teria inventado nada disso. Ao contrário do que alguns pensam, Deus (sou uma budista que gosta de acreditar em Deus, e daí?!?!) não é um velhinho de barba sádico, nas nuvens, brincando de ferrar a gente. Tudo o que existe está a serviço da evolução.

Ou seja, descobrir que temos uma porção divina é como colocar um ovo em pé por alguns segundos, e não será apenas a descoberta que o manterá assim. Acessar esta nossa divindade interior é o primeiro passo do caminho para compreendermos primeiro quem somos, depois como temos nos expressado, nos experenciado neste mundo, para que através de todos os recursos disponíveis, velhos e novos, consigamos ir diminuindo esta diferença entre o que temos sido e aquilo que queremos nos tornar, o que nos é potencial. Passo a passo, iremos integrando a luz à nossa existência mundana, e para isso, temos às vezes que nos indignar com a nossa situação atual, seja individual ou coletivamente, dar um basta para o que não aguentamos mais, pois isso é a motivação para buscarmos novas fronteiras de conhecimentos e atitudes. Mudanças reais sempre são como um parto, trazem impacto e resistência. Nunca vi ninguém procurar médico, terapeuta ou religião porque está feliz e saudável.

Aqui cabe também esclarecer que o “mundo onde Deus mora” é amoral. Não é necessário moralidade porque não existe forma. Agora, aqui no nosso planeta, a moralidade é necessária e é uma exigência para a preservação da criação, manutenção e o desenvolvimento da vida. E mesmo que este mundo seja “Maia”, uma ilusão, se o objetivo maior disso tudo for a criação de experiências, existe uma moralidade implícita que tem por obrigação assegurar a vida de todos os seres e dar condições para que estes floresçam no seu máximo potencial. Deus também não sente dor, nem prazer, nem atração, nem aversão. Qualquer expressão de forma é apenas uma criação, nem boa, nem ruim. Chegar neste ponto de “tudo é”, é algo que ainda precisamos exercitar muito e, quando isso acontecer, todo o nosso ambiente externo mudará para melhor. Provavelmente, não teremos mais doenças e guerras, que só existem como parte do nosso aprendizado.

A realidade, os fatos, demonstram que toda vez que negamos qualquer parte da existência, o resultado fica muito pobre, literalmente. A fé excessiva apenas no sutil/divino em detrimento do poder humano, tem levado nações inteiras a pobreza, assim como o inverso também é verdadeiro.

A negação do ser na sua totalidade chega a ser a maior arrogância de todas, pois nega o processo de evolução do ser, o sentido da vida, da existência.

Se o propósito da vida fosse descobrirmos que temos uma porção divina, muita gente já teria alcançado o paraíso e, bem sabemos, isso não é verdade. Estamos aqui para nos tornarmos a expressão encarnada deste divino através da purificação da nossa mente, do nosso corpo e das nossas ações. E isso só acontece reconhecendo quem somos hoje — lindamente espelhado pelo nosso ego, emoções, padrões mentais e o mundo à nossa volta — e transformando tudo aquilo que não serve mais ao propósito da evolução, vislumbre de quem já passou pelo momento do “despertar”.

Também existem muitos despertos não religiosos ou autodenominados apenas espiritualistas. Sua espiritualidade é expressa na sua gentileza, bondade, generosidade, força e entusiasmo de ação para o bem maior, prazer de viver independente dos recursos, paz interior e muitas outras coisas.

Entretanto, contamos nos dedos os verdadeiros avatares humanos (reconhecidos como tal) que caminharam sobre a Terra e vários deles viveram muitas vidas para atingir a iluminação. Por isso, muita calma nesta hora, muita paciência para não pularmos etapas e fazermos uma grande confusão, porque ainda somos todos crianças nesta nova escola, mas nunca estivemos num momento tão propício para encararmos, com sentido, o grande desafio da vida.

E se alguém quiser contestar qualquer uma destas ideias ou pensamentos, tentarei (porque sou humana) me tornar um vaso sem furos, limpos e vazio para ouvi-lo e aprender um pouco mais, seja em conhecimento, seja em respeito, porque buscarei compreender porque a sua visão é importante para você.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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