Crescimento Pessoal

DUALIDADE CONSCIENTE. A NOVA UNIDADE.

Existem conceitos que estão muito enraizados no inconsciente coletivo e, através destes, passamos a operar de forma automática. Um deles é o conceito da dualidade, que define e estabelece não apenas a existência de opostos como também a ideia que são excludentes e não complementares.

Desta forma, percebemos o sabor de um molho como azedo, mesmo que exista um pouco de açúcar na sua composição. Até o momento que alguém resolve colocar mais açúcar na receita e o molho passa a ser agridoce. Então descobrimos que muita gente gosta deste novo sabor. Parece uma coisa simples, mas o fato é que antes não era possível perceber o potencial do doce mesmo que ele sempre tenha estado lá. E assim acontece com muitas coisas na vida.

Além disso, atribuímos valores positivos e negativos para cada uma das partes. Algo que na natureza não é muito realista porque frio e calor são apenas dois estados. Aproveitando o tema, friamente falando, existe o que é melhor entre frio e quente? Alguns vão responder depende, outras terão preferência, mas o fato é que, exatamente por existirem percepções diferentes, não deveríamos atribuir valor para qualquer um dos dois.

Porém, a verdade é que atribuímos valor a tudo na vida mediante a nossa experiência pessoal. Isso é muito normal e não teria nada demais, se não criássemos aversão por aquilo que não temos preferência. Talvez na vida, a dualidade exista não para escolhermos um “time”, mas para entendermos que tudo faz parte do todo. É apenas quando estes opostos entram em contato é que a criação se realiza.

Outro dia perguntei para um amigo  muito inteligente, perspicáz e com uma capacidade de acolhimento muito grande, o porquê ele tinha uma postura tão aguerrida, pois isso era muito mais desgastante. Para minha surpresa, ele respondeu curto e grosso: “porque o embate é mais criativo e eu gosto disso”. Ops! Bem aquariano.

Óbvio! Toda a criação sempre vem de uma centelha que nasce do atrito, mas num mundo cada vez mais cheio de facilidades e hedonismo, estamos perdendo esta capacidade de aplicar energia no novo que tem o seu berço na dificuldade. Ao mesmo tempo, sem percebermos, gastamos muito mais energia tentando manter o velho.

Mais além, muitas vezes não enxergamos o potencial da transmutação dos opostos. Do azedo que vira doce e do frio que esquenta ou vice-versa. A visão que temos dos opostos faz com que fiquemos paralisados em significados definitivos e esta atitude traz muito sofrimento. Se estabelecemos que só gostamos do calor, ter que estar num ambiente muito frio poderá ser muito desagradável e podemos não aproveitar para fazer um snowboard que seria tão divertido, que até esqueceríamos da temperatura.

É necessário compreender profundamente a beleza dos opostos e que juntos são literalmente “O” um, que é a base de toda a nossa existência. Sem o elétron e o próton não existiria átomo e nada do que vemos a nossa volta existiria. Sem o homem e a mulher não nasceriam bebês. Sem o sol e a lua não existiria um dia.

Esta é também a base de toda a diversidade e, hoje, com tudo o que criamos, precisamos observar quanto sofrimento existe pela dificuldade que temos para lidar com o mundo a nossa volta. Nos isolamos em micromundos protegidos para não termos que lidar com a existência do outro, daquilo que consideramos diferente, sem percebermos que somos apenas faces da mesma moeda.

Esquecemos que da mesma forma que o quente com o tempo esfria e que o frio colocando fogo esquenta, tudo têm o potencial intrínseco de se transformar no que consideramos o oposto e que esta é a verdadeira direção da natureza, que ferozmente tentamos domar. Se a velha lei da entropia estiver certa e formos mesmo apenas um amontoado de átomos, tendemos à expansão e ao caos para depois iniciarmos um novo ciclo. Por isso, quanto mais rápido aceitarmos e harmonizarmos o que consideramos oposto, maior a facilidade com que viveremos todas as situações.

Atualmente, existe um enorme sofrimento por não conseguirmos perceber e aceitar o todo. Muitas pessoas vêm todos os dias as suas vidas virarem de ponta cabeça porque um dia se acham belas e no outro horríveis, um dia estão empregadas e no outro desempregadas, num dia estão amando e no outro odiando. Ou mesmo porque apenas não encontram mais sentido na sua vida como ela é e não conseguem enxergar uma saída, pois não percebem o potencial de mudança contido nela.

No fundo, este jogo da dualidade e da impermanência do mundo externo, o mundo das formas e dos sentidos, tem apenas um objetivo: nos conduzir ao mundo interno onde nada disso faz sentido, pois neste lugar tudo é um, simplesmente, porque é neutro de julgamentos e crenças. A partir deste ponto, começamos a perceber como algo unido, o que antes era visto como separado. Aos poucos, o que era motivo de aversão e sofrimento deixa de ser, pois compreendemos que era apenas uma projeção da nossa mente, das memórias e experiências armazenadas.

Esta é a verdadeira evolução de consciência onde o céu e a Terra se encontrarão. Um dia compreenderemos e dominaremos quem realmente somos além do que acreditamos ser, e percorreremos por toda a diversidade da vida com graça e leveza. Neste dia haverá paz no mundo.

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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