Crescimento Pessoal

ALANA TRAUCZYNSKI E A DESCOBERTA DO SER

Para quem estava esperando ansiosamente, aqui está a segunda parte da nossa conversa com Alana Trauczynski, autora do livro Recalculando a Rota, palestrante e facilitadora de cursos que ajudam as pessoas a descobrirem a sua bússola interna e se auto-guiarem para uma vida mais plena e alinhada com a sua personalidade e propósito.

VM: Existem muitas pessoas que escrevem como um processo terapêutico. Como surgiu a ideia do Curso a “História que você precisa contar”?
AT: Ao ler meu livro, muita gente me dizia que sua vida também daria um livro. Então eu comecei a pensar… vamos escrevê-los? Contar-se sua própria história pode ser um ato muito transformador, seja ela publicada ou não. É neste momento que você olha para ela com sinceridade. Mas mais importante do que contar para alguém é ser verdadeiro e sincero consigo mesmo. Este é inclusive o meu papel neste workshop: chamar as pessoas para que sejam honestas consigo mesmas, para que tragam a verdade à tona, aquela que não ousam contar nem para si mesmas. Já a Adriana Calabró tem uma sensibilidade e percepção incríveis, além de fazer a condução da parte mais técnica de escrita, como as ferramentas, estruturas e estilos. Eu mesma fiz um curso com ela antes de escrever o meu livro.

VM: O que significa para você “saber quem é”?
AT: O dia que a pessoa souber 100% quem é, ela está com a vida resolvida, né? Se conhece melhor quem sabe diferenciar o ego do ser. O que na sua vida é o seu ego, o que ele quer e precisa e o que é verdadeiramente essencial.

VM: E como você diferencia o que vem do “ego” e o que é do “ser”?
AT: Eu fico atenta para perceber como as coisas ressoam em mim, como o meu coração se sente perante elas. Por exemplo, uma vez eu fui em uma entrevista de emprego onde ganharia muito dinheiro, mas percebi que passei o tempo todo na entrevista de óculos escuros, ou seja, eu não queria olhar nos olhos do entrevistador porque não estava dizendo a verdade. Só me dei conta depois que a entrevista já tinha acabado. Foi um super boicote e era óbvio que eu não queria aquele trabalho. É preciso ficar atento a estas coisas, perceber os sinais, ver o que te alivia e o que te deixa tenso.

VM: Como consegue diferenciar o que é um padrão de comportamento que é um boicote por medo ou quando é algo que você no fundo não quer?
AT: Eu acredito muito na perfeição da vida, tenho muita fé nisso. E não é uma fé religiosa. É uma fé baseada em experiência prática. Se eu não consigo algo que quero muito, rapidamente também me desapego e parto para outra. Eu aceito o que é na minha vida, o que acontece. Não de forma passiva, tipo “Deus quis assim”, pois sei que sou responsável, mas eu faço tudo o que tenho que fazer, tudo o que está ao meu alcance e então me desapego do resultado. Esse desapego é algo conquistado também. Muitas vezes as pessoas acreditam que as coisas estão dando errado, mas elas estão dando certo, só que ainda estão em um processo. Tem muito aprendizado no caminho para as coisas darem certo, muitos ajustes, recálculos de rota. Quando de fato estivermos preparados, as coisas darão certo. Simples assim.

VM: O recalcular a rota significa morrer e renascer a cada etapa do caminho?
AT: De certa forma sim. Pequenas mortes e reconstruções são essenciais. A Alana anterior, aquela que acreditava que o sucesso era o segredo da felicidade, foi uma que teve que morrer. E não foi nem através de mim que eu percebi isso. Eu lidava com pessoas de muito sucesso, que tinham tudo, e percebi o quanto estas pessoas eram, muitas vezes, muito infelizes e miseráveis. A pobreza era de espírito. Para mim isso foi muito chocante.

VM: Foi sofrido? o que você ensina quando está ajudando as pessoas a recalcularem a rota?
AT: Foi um processo sofrido porque quando algo assim acontece, você novamente não sabe quem é, o que quer, para onde deve ir, você fica no limbo. Neste caso, eu recomendo ir por eliminação. Vai experimentando várias coisas e vendo como se sente.

VM. Conte-nos um pouco do seu caminho espiritual? Chegou a viajar pelo oriente?
AT: Eu fui para a Índia e Marrocos, mas o meu caminho é a essência de todas as religiões. Eu pego o que serve e o que me faz bem de cada uma delas. Meus pais meditam desde que eu me entendo por gente, em uma época que não era costume e as pessoas eram consideradas esquisitas. Eu já ouvi muitos mestres falarem, quando eu nem falava suas línguas direito, mas o que diziam tocava o meu coração. Eu chorava. Este sempre foi o meu termômetro. Aquilo que fala com o meu coração sem passar pela minha mente.

VM: Que tipo de meditação que você pratica?
AT: Medito diariamente, às vezes por um minuto, no trânsito, na fila de um banco. Uma ou duas vezes por semana, medito em grupo. Gosto de mantras também, gosto de yoga. Acho que todo o minuto de meditação é válido, inclusive o minutinho da hora do café ou antes de começar a trabalhar. Tomar consciência da respiração e do corpo, no momento presente, é sempre importante e pode ser feito sem hora marcada.

VM: O que é para você uma mente sem obstáculo?
AT: Para mim é a CPU sem vírus com a qual nascemos. O H´oponpono também fala isso, que precisamos mais abrir espaço para que a vida surja por inspiração do que da aquisição de novos conhecimentos. A gente aprende, aprende e tem uma hora que temos que esvaziar, limpar, abrir. Temos que chegar naquela CPU de quando nascemos, com a diferença que adquirimos consciência no processo. É voltar para onde já estivemos, só que agora com consciência disso.

VM: Muitas pessoas associam a paz à uma postura submissa. Qual é o significado da paz para você? A meditação lhe traz paz?
AT: A paz é aceitar a vida como ela é. É isso o que traz paz. Não estar querendo o tempo todo mudar o que é, estar no controle. Seria uma tranquilidade consciente. Eu nunca associei a paz à submissão. A meditação me traz paz porque ela nos faz entrar em contato com uma parte que está sempre em paz. No meio do caos, da desgraça e de tudo de pior que possa estar nos acontecendo, existe um lugar, um oásis, em que estamos sempre em paz.

VM: O que você realmente vende para as pessoas? Questionamentos, novas possibilidades, aonde você agrega valor?
AT: Ajudo as pessoas a se libertarem da visão dos outros sobre elas. As pessoas estão sempre preocupadas com o que os outros estão julgando, mas a gente só se preocupa com isso quando o julgamento é nosso também. Quando a gente se liberta totalmente, as pessoas param de julgar e se o fazem, nós nem percebemos mais, nem faz diferença.
No meu caso, eu só achava que estavam me julgando quando este julgamento ainda era meu.
Alguns leitores descrevem o que eu faço como “um encaminhamento para o não-caminho” (risos). Adorei esta descrição. Também chamam de faxina espiritual, matrix breaker. Já me chamaram do Neo da Matrix de saia! Mas tudo tem a ver com a percepção de si mesmo. É uma vigilância constante, porque temos fases, podemos ter dúvidas no meio do caminho, nada é constante.

VM: Quando a ficha caiu para você?
AT: Acho que uma das fichas que caiu foi com o xamã do H´oponopono, no Havaí, que colocou a questão da responsabilidade. 100% de responsabilidade sobre a sua vida, inclusive, por exemplo, sobre quem está sentado na sua frente agora. É muito difícil perceber-se responsável, mas ao mesmo tempo muito libertador. Isso quer dizer que você não precisa de ninguém para se libertar. Não é preciso resolver nada com o seu pai ou sua mãe, resolva a si mesmo. Eles irão começar a responder a este novo eu, mesmo sem entender o que aconteceu, mesmo que nada nunca seja dito. E eu percebi isso na prática.
Às vezes a gente passa a vida evitando uma coisa X porque acha que vai causar uma reação Y e quando ela acontece não era nada disso. Era apenas uma loucura da sua cabeça, uma conjectura. Então assumir a responsabilidade pela vida é algo muito libertador.
Nós ficamos muito tempo na barra da saia de outras pessoas e, no fundo, não nos sentimos preparados. É insegurança mesmo. Tem duas coisas: primeiro não tem ninguém tentando me impedir de fazer o que eu quero (a não ser na minha cabeça), o universo está totalmente aberto; e segundo, se eu não fizer minha parte fica difícil as coisas acontecerem.
Muitas vezes, até ter apoio da família pode ser a muleta que te faz cair e te deixa sem forças. Foi apenas no momento que eu neguei, verdadeiramente, todo o suporte da minha família e assumi a responsabilidade pela minha vida que as coisas começaram a mudar. “Dar certo” é você perceber que está no seu caminho, não é nem uma questão de resultado. Você sente no seu coração que está onde deveria estar, então as coisas começam a vir para você, deixam de ser difíceis. É uma questão de entrar em uma outra frequência, em ressonância com a vida, com o seu propósito verdadeiro, que tem tudo a ver com quem você é, naturalmente, sem esforços!

Para conhecer um pouco mais sobre Alana Truczynski, acesse o site www.recalculandoarota.com.br e assista aos vídeos abaixo:

Alana e o livro Recalculando a Rota

Alana em EuSoul, Websérie de Pedro Céu

Embarque numa expedição de autoconhecimento pelo Saara com Alana. Saiba mais, acessando o link: 

http://www.spreecast.com/events/expedicao-saara-2015

 

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

2 Comments

  1. Florencia Carrizo
    14 October, 2014 at 12:28 — Reply

    Que delícia de ler essa conversa com a Alana!
    Já li o seu livro, acompanho sua página no facebook e o que mais me chamou a atenção e me identifiquei muito, é essa relação que ela tem com a meditação, com a espiritualidade, independente de religião e como isso realmente fez e faz a diferença em como leva a vida. O nao controle.
    Medito há poucos meses e tudo que leio e aprendo sobre, é muito do que a Alana fala e como é bom identificar-se com sua história e experiência 🙂

  2. 16 October, 2014 at 6:44 — Reply

    Adorei as duas entrevistas! Estou grata por tem encontrado a Alana num momento da minha vida em que eu não acreditava mais em mim. E desde lá, vim acompanhando seu trabalho e as coisas tem mudado. <3 Gratidão!

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