Crescimento Pessoal

CONVERSANDO COM ALANA TRAUCZYNSKI

Alana Trauczynski, colaboradora de diversos sites e escritora do bem sucedido livro “Recalculando a Rota”, é uma pessoa difícil de descrever e, por mais que ela mesma tente, um ser em constante movimento e mutação nunca conseguiria ser definido. De qualquer forma, esta aquariana, com sua imensa vontade de viver e sem medo de falar o que pensa, tem contagiado e transformado a vida de muitas pessoas através do seu livro e dos seus cursos. Conheça agora um pouco mais sobre a trajetória de Alana Trauczynki, para entender da onde vem esta força da natureza que por onde passa, algo se transforma. Como conversa boa não se desperdiça, nosso papo foi longo e vamos publicá-lo em duas partes. Por isso, não percam o próximo post.

VM: Alana, o que é construir um caminho para a liberdade?

AT: Acho que é mais uma questão de entrar em contato com o caminho da liberdade do que uma questão de construí-lo. A gente está premeditado para a liberdade. Nascemos livres e vamos acumulando um monte de crenças e medos que bloqueiam este caminho. Coisas que chegam através da educação muitas vezes equivocada, e que vão nos limitando. É como se a sua mente fosse uma CPU que nasceu imaculada, cheia de espaço, superabsorvente e com capacidade de realizar diversas conexões. Então vamos fazendo uma série de downloads de vírus, uns autorizados e outros não, que vão entrando na surdina, e a mente vai ficando confusa, devagar, lenta, já não é mais a mesma do começo. Então esquecemos que somos livres.

VM: Outro tema que parece ser importante para você é o saber quem se é. Você sempre soube quem você era?

AT: Não, absolutamente. Eu acho que posso falar justamente por ter sido muito perdida por muito tempo. Não sabia o que eu queria da vida, não sabia o que eu tinha que fazer, não tinha ideia de quem era. Saí viajando pelo mundo atrás das repostas para estas perguntas. Eu era muito ansiosa para respondê-las, mas basicamente queria conhecer o meu propósito. E aí me dei conta de que nosso propósito está muito próximo de nossa essência. Se uma pessoa quer ser feliz na profissão, o que ela faz terá que ter afinidade com quem ela é realmente. Então se conhecer é algo muito útil, facilita a sua vida. O autoconhecimento deveria fazer parte da cesta básica, todo ser humano deveria ter condições para isso. Nosso propósito é ser quem somos mais essencialmente.

VM: O que você acha desta frase: “acordar para quem você é requer desapego de quem imagina ser”, do Allan Watts?

AT: A gente vai criando uma imagem para nós mesmos, que nos defende dos nossos medos. Por exemplo, se seu grande medo for não ser bem sucedido na vida, você vai criando uma imagem de bem sucedido sem nunca se questionar se é aquilo mesmo que lhe fará feliz, se realmente é o que quer. Por exemplo, quando eu trabalhei em Las Vegas em um dos hotéis mais famosos do mundo, eu lidava com celebridades como Angelina Jolie e Brad Pitt, andava de limusine e helicóptero, tinha uma vida glamorosa e excitante, mas eu tinha vontade de sair correndo e chorando do trabalho quase todos os dias. Eu não queria estar lá, achava que não estava gerando nenhum bem para ninguém, nenhum impacto social positivo e percebia que aquelas pessoas não eram necessariamente felizes. Mas precisei estar naquele contexto de sucesso para perceber que não era nada daquilo que eu valorizava de fato.

VM: E como você conseguiu se desapegar da autoimagem que criou?

AT: Nisso eu tive uma certa ajuda externa. Quando eu vi que estava infeliz, comecei a buscar vários cursos de autoconhecimento, física quântica, ho’oponopono e fui parar num encontro internacional com um mestre de sabedoria, em uma época que estava muito triste, muito perdida mesmo. Não tinha a menor ideia do que fazer e este mestre olhou para minha cara e, intuitivamente, me disse: “você é uma escritora, vá escrever um livro”. Ele me deu uma orientação direta que ressoou dentro de mim. Se ele tivesse dito qualquer coisa metafórica talvez eu estivesse perdida até hoje, ou levaria muito mais tempo para me encontrar. Devo toda a minha nova vida a ele.

VM: Você acha que a figura, destas pessoas “anjos”, são importantes na vida das pessoas? Existem estes momentos mágicos que você encontra alguém que fala alguma coisa e tudo muda?

AT: Eu acredito totalmente porque eu provo disso o tempo todo. Quando eu estou precisando, a pessoa ou a mensagem certa aparecem. Acho que isso acontece com todo mundo, mas as pessoas perdem estes lances porque estão desatentas e não procuram significado nas coisas. Eu procuro significado em todas as coisas, em absolutamente tudo o que me acontece. Se caísse café agora em cima de você ou em mim, eu ficaria pensando sobre isso. Se eu perder a chave do carro, me atrasar para a entrevista daquele emprego que eu “quero tanto”, se eu perder minha carteira de identidade, tudo isso tem um significado se você estiver atento.

VM: Este jeito de analisar a vida com outros olhos tem algo a ver com alguma das filosofias ou cursos que você entrou em contato ou com a sua experiência pessoal?

AT: Isso veio muito da minha família. Minha mãe é psicoterapeuta e o meu pai é cirurgião, mas com uma visão bem mais holística das coisas. Então desde criança eu já fui orientada neste sentido. Se estava com dor de ouvido, minha mãe me perguntava: “o que você não está querendo ouvir, filha?”. Ou se eu tinha dor de garganta e não conseguia falar, ela dizia: “o que você não está comunicando, o que não está conseguindo falar?”. Então eu devo muito de quem eu sou à minha família. E também é por causa da minha filosofia de vida, onde a grande questão é o caminho rumo a si. É você consigo mesmo, não tem ninguém “lá fora” tentando te impedir de realizar aquilo que você precisa realizar. É sua a responsabilidade, olhe para si, resolva dentro de si.

VM: Você sempre se coloca como uma pessoa diferente, que teve uma vida diferente. Como você aplica a sua experiência na vida de pessoas que vivem a “normose”?

AT: Na verdade, ninguém é “normal”. As pessoas se contém. Alguns tem coragem de tornar-se quem são e os que não têm coragem ficam vivendo esta vida considerada normal. E não tem nada de mal ou errado nisso, acho que o importante é ser feliz. Eu já até quis voltar a ser normal, pois não precisaria ter tido tanto trabalho e esforço. Às vezes a ignorância pode ser uma benção. Mas os meus textos passam uma energia que ajuda as pessoas a despertar. Elas percebem que podem ser mais felizes, ter uma vida mais interessante. Acho que é esta a minha missão.

VM: Você viajou muito e também trabalha como coach de viagens, realizando processos de autoconhecimento ao longo do trajeto. Viajar abre a cabeça das pessoas?

AT: Acho que o que acontece em viagens é que nós ficamos mais abertos. Poderíamos nunca sair do nosso bairro e sermos abertos da mesma maneira, mas em uma viagem ficamos mais focados no presente, no agora. Nosso foco muda, nosso “mindset”. Poderíamos ser assim normalmente e deslumbrar-nos com coisas na nossa própria rua. Se prestarmos real atenção, sempre veremos coisas que nunca vimos. Numa cidade onde se viveu a vida inteira ou num lugar que você nunca foi, o que importa é a mudança da percepção, a presença. As viagens simplesmente favorecem isso. A gente sai do nosso contexto, da nossa rotina.

VM: Você diz que colocou muito tempo e dinheiro tentando descobrir quem era, se encontrando. Realmente, este processo normalmente é caro. Você acha que dentro de uma visão social, determinadas questões são exclusivas das classes mais altas? Será que a violência que vemos nas manifestações ou o crescente uso de drogas não seria uma forma de terapia ou um jeito de extravasar a falta dela?

AT: Mesmo quando eu ganhava muito pouco dinheiro, priorizava as coisas certas. Se eu tivesse 3 mil dólares, ao invés de comprar um carro, eu gastava este dinheiro para ir ao Havaí e conhecer o xamã do Ho’oponopono. Isso é uma coisa que pouca gente faz. Eu provoco muito as pessoas quanto a isso porque é uma questão de escolha. Fico de cara com quem diz: “quero mudar minha vida”, mas 29,90 é muito caro para um livro ou não posso investir neste curso agora. Como assim? Eu acho que conhecimento é prioridade, mas as pessoas sempre parecem ter dinheiro para trocar de bolsa!

VM: Você acha que deveria ser tratado como uma questão de saúde pública? Como você disse, fazer parte da cesta básica?

AT: Eu acho que seria lindo disponibilizar para quem quisesse. Quando uma pessoa não está interessada em autoconhecimento, não quer aprender meditação, nada adianta. Esta necessidade precisa partir dela. Cada classe social tem as suas dificuldades e sempre chega uma hora na vida que este momento se apresenta, mas tem que partir da pessoa. Não dá para impor isso ao mundo. Você encontra buscadores em qualquer classe social.

VM: De uma forma mais pragmática, a cultura e o esporte ajudam a abrir este caminho?

AT: Sim, a cultura amplia a visão. Quando ampliamos a visão, novas possibilidades se abrem, se fazem possíveis. Eu insisto muito nisso, em ampliar o espectro de conhecimento, fazer coisas diferentes todo dia, pegar caminhos diferentes, ter uma amplitude maior de experiências. Esportes são excelentes para o nosso bem-estar. Eu pratico vários diferentes, para dar estímulos distintos ao corpo e ao cérebro.

VM: Como você acha que uma nação descobre o seu propósito, cria um caminho para a sua liberdade?

AT: Nossa, que pergunta difícil, mas acho que eu falaria o mesmo que digo para as pessoas como indivíduos. O nosso propósito está muito perto da nossa essência. Então, qual é a essência do brasileiro, onde a gente se destaca, o que a gente tem de diferente? A gente tem uma energia vital muito grande. O brasileiro vibra naturalmente e é muito acolhedor, muito receptivo, muito mais do que em outros países. Então eu diria o Brasil poderia se transformar a partir do turismo. Receber as pessoas de forma diferenciada. Só que aí temos este outro problema que precisa ser resolvido primeiro: a pobreza na educação e a falta de honestidade. Não faz parte do nosso DNA. Não aprendemos de pequenos. Temos que mudar isso. Ensinar nossos filhos e crianças a serem honestos, não corrompíveis, íntegros, honrados. Aí seríamos uma nação sem limites!

Para conhecer um pouco mais sobre Alana Truczynski, acesse o site www.recalculandoarota.com.br e assista aos vídeos abaixo:

Alana e o livro Recalculando a Rota

Alana em EuSoul, Websérie de Pedro Céu

Conheça Alana pessoalmente no seu workshop com Rick Jarrow. Saiba mais, acessando o link:

http://recalculandoarota.com.br/palestra-abundancia-um-estado-de-ser/

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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