Meditação

COMO A PRÁTICA DE AUTOCURA NGALSO ENTROU NA MINHA VIDA

No quesito espiritualidade e religião, minha infância foi de um lar católico, mas com uma avó que gostava de buscar espiritualidade em outros lugares. Assim, conheci o espiritismo e jhorey através dela e, seguindo sua orientação, eu rezava um “Pai Nosso” e uma “Ave Maria” todas as noites.

Sempre questionei valores sociais na juventude. Quando me formei dentista, todas as minhas amigas foram casando e minha avó já estava partindo. Eu me senti totalmente perdida. Eram muitas perdas.

Eu não acreditava em casamento e achava péssimo o pessoal casar e ter filhos com uma vida inteira para descobrir coisas. Não sabia por onde começar a minha profissão. Minha casa era meio bagunçada, sempre vivi no meio de amigos, sempre fora de casa. Só para constar, tive uma ótima educação dos meus pais.

Nesta época, comecei a buscar algo para confortar meu coração. Eu achava que não querer casar era um problema grave e que eu era deprimida. Fui buscar consolo na profissão, o que ajudou por um tempo. Estudei bastante, virei periodontista e trabalhei horas a fio, mesmo sem remuneração, até que comecei a ter síndrome do pânico. Pronto, fui  parar no psicólogo!

Então, comecei a fazer terapia em grupo por orientação dos psicólogos. Daí, comecei a melhorar, mas ainda estava insatisfeita com minha vida. Apareceu uma oportunidade de ir a Europa, que era um sonho para mim, e fui atrás. A viagem foi maravilhosa, mas quando voltei, o pânico permanecia e isto estava atrapalhando meu trabalho. Voltei para terapia e acrescentei a yoga.

A yoga já começou a melhorar minha insatisfação. Eu adorava fazer meditação nos exercícios de Hata Yoga e aquilo começou a mudar minha vida. Minha melhor amiga havia se tornado Hare Krishna, o que me fez passar 4 anos sem comer carne de nenhum tipo. Estava tudo melhor, mas ainda achava que precisava de um caminho religioso. A yoga ok! Porém, ser hare krisha não era muito minha praia.

Foi quando eu tive a maior perda da  minha vida, até agora, que foi o meu pai com 63 anos. Ele havia sido diagnosticado com cirrose hepática e eu sabia que tínhamos pouco tempo para ficarmos juntos. Diminui o ritmo de trabalho e fiquei bem mais próxima do meu pai no dia-a-dia. Foi a melhor coisa que fiz, mas mesmo assim, quando ele morreu, perdi o chão e não tinha achado um lugar religioso para ficar. E podem apostar que eu tinha ido atrás de quase tudo.

Nas meditações da yoga, pedia ao meu interior para me guiar em algo que me fizesse feliz. Neste momento, já tinha a certeza que a espiritualidade seria o único caminho para minha felicidade, e sempre contava as experiências das minhas meditações para minha amiga hare krishna. Falando a verdade, quando eu  ia com esta amiga ao templo hare krisnha, meditava muito mais do que ela.

Nesta época, havia feito meus exames anuais de saúde e descobri que tinha uma doença crônica, que deixava minha tireoide sem função. Um dos exames assustou muito os médicos, inclusive, o médico homeopata que eu frequentava. Todos foram unanimes em dizer que eu tinha que começar a tomar o hormônio para tiroide.

Eu, com minha teimosia e minha determinação, resolvi desobedecer todos os médicos da minha vida e arriscar um tratamento: uma associação de yoga, medicina chinesa e autocura NgalSo. Sim! Foi quando eu entrei em contato com esta maravilhosa prática de meditação. Vou contar como aconteceu.

Eu ainda estava em busca do meu lugar no mundo religioso, e minha amiga hare krishna me disse que havia conhecido o meu atual mestre, por intermédio da tradutora dele. Ela o reconheceu das histórias sobre as minhas experiência com a meditação. Era a mesma pessoa que eu tinha descrito, ela tinha certeza. Para falar a verdade, dei risada e pensei que seria muita pretensão da parte dela saber, exatamente, como era a minha visualização durante a meditação. Portanto nem dei bola.

Passou um tempo desde este encontro dela com meu mestre. Então, ela me chamou para ir numa reunião onde estariam vários lideres religiosos. Eu me disponibilizei para ser secretária deste encontro inter-religioso, que estava sendo organizado pelo Daniel, atualmente, monge Daniel, no Centro de Dharma da Paz.

Quando cheguei no local, pela primeira vez, fiquei encantada com a sala de meditação, o gompa. Ao ver a foto de Lama Gangchen, na hora, o associei ao mestre das minhas meditações. Pensei: como isso era possível? Minha amiga tinha razão quando disse que

tinha conhecido meu mestre! Infelizmente, ele não esteve no encontro inter-religioso do qual participei, mas foi através disso que conheci a autocura NgalSo. Desde então nunca mais deixei o lugar. Acabei me tornando totalmente discípula de Lama Gangchen e Lama Michel, e me aprofundei nos estudos desta prática de meditação.

Isto tudo aconteceu na mesma época dos meus exames médicos. E eu tinha certeza que não queria começar a tomar hormônio tão jovem. Meu corpo iria ficar bem com o que tinha me proposto fazer. No começo, quando estava crítico o funcionamento da minha tireoide, tirei 15 dias de férias e fiz um retiro particular com yoga e a meditação de autocura. Depois disso, eu repeti os exames e os médicos ficaram de boca aberta: a tireoide voltou a funcionar perfeitamente.

O Budismo Tibetano trouxe o alicerce para a minha vida e, se hoje sou feliz, devo isto a toda esta história e a todas as pessoas que participaram dela.

Agora, estou com quase 50 anos e tudo começou quando tinha 24 anos. Eu conheci meus mestres aos 33 anos e, ainda, continuo com minha vida como dentista, filha, irmã, amiga, colega e patroa. Realmente, só não encontrei um companheiro, mas, hoje, eu sei que é  possível ser feliz sem estar casada. A felicidade está em qualquer lugar e é só encontrá-la dentro de você.

Saiba mais sobre Autocura  Ngalso

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Ana Paula Chaves

Ana Paula Chaves

Ana Paula Chaves, dentista, praticante de Hatha Yoga, há 20 anos, discípula de Lama Gangchen Rinpoche e Lama Michel Rinpoche desde 1997. Coordena práticas de meditação, cursos e retiros desde 1998. Participou da organização do Fórum Espiritual para o diálogo inter-religioso. Fez viagens de peregrinação para Amazônia, Borobudur (Indonésia) e Nepal.

1 Comment

  1. valeria ribeiro
    13 September, 2014 at 18:44 — Reply

    Ana Paula, os Mestres tem em vc, uma pessoa linda, obrigada pelos momentos que pude participar do retiro de Tara Verde, no qual nao dei conta de fazer uma meditacao linda com as 21 Taras, espero que em proxima oportunidade, consiga! Valeu muito!!!!Ah, lindo tb seu texto. Tashi delek…to parecendo o Caetano Veloso…mas eh tudo linnndoo mmo

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