Crescimento Pessoal

PERDÃO. DA DOR AO AMOR.

Em dias de feriado, assisti a dois filmes que escancaravam a dor silenciosa e moderna do ser humano. Em um deles, um pai descobre lindas músicas que começa a apresentar num bar, compostas por seu filho assassino, que num destes colapsos nem tão raros hoje em dia, mata 6 colegas de escola e também morre. Escondendo a origem das músicas pelo pesar que elas carregavam, quando estas rumam ao sucesso, a verdade é descoberta levando toda a sua beleza para vala fúnebre da onde saíram e consumindo de dor novamente todos os envolvidos.

No outro, a história real de uma jovem bipolar, depressiva e viciada em drogas, que desde pequena se mutilava como forma de aplacar a sua dor. Ela permite que contém a sua história para ajudar outros na mesma situação e, muitas outras pessoas, principalmente jovens, se identificam com ela.

O que me toca muito nestes contextos, num início de ano, é a nossa dificuldade de encararmos o nosso sofrimento, desde a nossa juventude, até que a dor se torna tão grande que o fogo que nos queima por dentro, nos destrói por fora. Viramos páginas, avançamos mais um ano, mas até que ponto temos coragem de lidar com as nossas verdades inconfessáveis.

Da onde vêm esta dificuldade de abrirmos os nossos corações? esta mão tão pesada que não nos permite acreditar, que podemos ser perdoados por seja lá o que acreditemos ter feito.

Da onde vêm está falta de merecimento que corrói a autoestima? Da onde vem a violência que nos faz preferir amargar culpa e vergonha sozinhos, sem a oportunidade de podermos verdadeiramente rir de nós mesmos?

Desde quando as imperfeições humanas se tornaram vírus infecciosos impossíveis de serem acolhidos, tornando segredos em doenças, como é dito em um dos filmes? Do que de fato temos medo? Tenho visto muitos agonizando por não encararem os seus segredos, por sustentarem máscaras que não comportam mais e que estão tão incrustadas que nem se diferenciam mais dos seus donos. Fazem isso para serem amados, mas de fato não são amados porque mentem. Um retrato da realidade de uma grande maioria de nós.

Conversando com um grupo, falávamos da impossibilidade de passar por esta vida sem ter sentido vergonha e humilhação de algum modo. E dentro deste tema, foi muito impactante saber que não conhecia uma mulher que não havia se sentido sexualmente assediada pelo menos uma vez na vida. Então me pergunto: qual é o verdadeiro sentido de decência e dignidade que cultivamos em nossa sociedade? Queremos aquela que tem os dedos em riste e apontados ou aquela cujos dedos seguram firme as nossas mãos para podermos recomeçar?

Vários são os atributos que devemos encontrar dentro de nós, a nossa própria luz. Afinal, nascemos sós e morreremos sós, mas se vivemos acompanhados deve ter algum motivo. E talvez o maior deles é aprendermos a respeitar e acolher as nossas “imperfeições” através do outro, aceitando o outro. Ou talvez, ter a coragem de colocarmos as nossas dificuldades para fora sem medo de não sermos amados. Ás vezes, acho que estamos aqui só para aprender isso: aprender a amar e a nos amar, e o outro está lá só para nos ajudar neste caminho.

Nestas horas, também fica óbvio que amor não pode ser comprado porque ele precisa ser ofertado, oferecido, e não custa um tostão para quem dá. A riqueza das pessoas amorosas são a crença na beleza do ser humano e na confiança infinita do seu potencial.

Na base de todo sofrimento existe uma causa. Acima de qualquer causa existe uma cura, e a essência de toda a cura é o perdão. Um perdão que elimina a dor e a culpa de quem compôs belas obras para que elas possam transcender o julgamento e brilhar em sua própria luz.

O perdão que compreende a fragilidade humana dos nossos ícones e heróis. O perdão que devemos a nós mesmos por todos os nossos erros passados, que nos alivia das nossas vergonhas, sentimentos de humilhação e impotência. Quando não nos sentimos amados, somos fracos e nos destruímos. Quando amamos uns aos outros, somos fortes e florescemos.

Filmes citados: Sem Rumo (Rudderless) e Para escrever amor em seus braços (To write love in her arms)

Ana Cristina Koda

Ana Cristina Koda

Após mais de 20 anos no caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, resolveu compartilhar suas visões e experiências pessoais, frutos das práticas de meditação, através de seus artigos. Seus muitos anos como profissional das áreas de marketing e comunicação são a base desta sua vontade de se comunicar, agora, com um propósito maior.
Vamos Meditar concretiza este sonho, que está se realizando e que dedica a todos os seres. Também dá aulas particulares de meditação e atende com terapias integrativas para quem quer seguir o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade.
Contato pelo email: anackoda@gmail.com

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